Já me desesperei, já chorei, já tive vontade de quebrar a casa. Dei chute no pé da cama, murro na janela. Gritei e estourei o celular no chão. Nada adiantou. Tenho mania de achar que o desespero pode modificar as coisas, quando na verdade tudo já está resolvido. Não sei se acredito em destino ou sorte, mas acredito que algo muito irônico vez ou outra acontece e nos traz de volta ao nosso caminho. Algumas coisas, não importa o quanto você relute, são extremamente diferentes do que você imaginava e queria. Não somos projeções perfeitas. Somos imperfeições. Somos o contrário do que queremos, por isso todos somos infelizes. E é a partir da infelicidade que podemos dar valor à felicidade. Não, não estou querendo promover um livro de autoajuda. Eu apenas queria falar sobre o tempo, esse tempo doido que te leva pessoas, te traz sorrisos, dias, lágrimas, copos, fotos e, quem sabe, até aquelas velhas pessoas. Nós mudamos, mudamos sim. Eu não sou mais a mesma, não adianta querer voltar, querer falar as mesmas gírias, achar graça nas mesmas conversas. Pois é, todos nós mudamos. E quem não muda, tenho medo deles. Afinal, ficar preso no tempo é coisa de gente maluca. Maluca e corajosa. Eu sou normal. Normal e medrosa e é por isso que eu mudo, mudo todos os dias. Mudo porque se eu não mudar, vou me sentir morta. Quem mais quer viver sou eu.