E aí ela olhou pra ele, o viu em tantas fases diferentes. Naquele dia em que os dois tinham levado um fora e foram beber juntos, naquela viagem que fizeram com a turma e quase morreram no trânsito, daquela noite em que não tinham nada mais a fazer do que tomar uma garrafa de vinho juntos. Dos tantos dias que ela e ele, ainda tão novos, saíram escondidos do colégio e foram passear no shopping, das vezes que ela tinha pintado o cabelo de roxo, rosa e azul e ele tinha dado risada. Daquela briga catastrófica que ela jogou um copo de cerveja na cara dele no meio da festa, na eterna briga deles dois entre Beatles e Nirvana e dos momentos fofos. Poucos, é verdade, mas olhando assim como um todo, pareciam até muitos.
Encheu o peito, olhou no espelho, pensou nas tantas possibilidades. Se fosse coisa da cabeça dela, se ele não gostasse dela como ela gostava dele, se na verdade ela tivesse descoberto que ele gostava dela e tivesse tentando gostar dele só por obrigação. Mas ela era do tipo impulsiva, sabe como é, dessas que só sossegam quando falam, alarmam, colocam as coisas para fora. E foi, foi até a casa dele. Ele abriu a porta, estava de cueca samba canção e como se não já tivesse o visto assim tantas vezes, ficou constrangida - pela primeira vez. "Preciso falar com você" os dois falaram juntos. E aí ele se antecipou: "Olha, eu ia te contar antes, eu juro. Não se assusta" Ela fechou a mão e segurou forte, já estava pronta para dizer eu também, ele deu aquele sorriso sarcástico. "Olha, a Aninha, sua prima, eu to comendo dela de novo."
E tudo voltou a ser como sempre foi.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
Dois.
A mesa estava cheia. a música tocava no ambiente e Fagner gritava na radiola "se ao teu lado sei tão pouco de você, é pelos outros que eu sei quem você é' e Sofia viu um casal dançando ao lado na pista de dança mais decadente que já tinha visto. O boteco mais sujo da cidade tinha virado ponto de encontro entre Sofia, seus novos amigos do mestrado, seu núcleo de amigos gays e alguns amigos aleatórios como Nina, amiga que conheceu numa feirinha de artesanato e a quem comprou uma pulseira de prata - falsa.
Ao mesmo tempo, do outro lado da cidade, Roberto assistia a uma apresentação de jazz experimental, ouvia o som e seu sangue fervia. Ao seu lado, a roqueira de batom vermelho tinha belas curvas e um belo sorriso e bebia uma dose de uísque 12 anos. Roberto, então, ofereceu à Roqueira uma próxima rodada do drink e ela consentiu com um sorriso. Esqueceu o cartão de crédito. Merda! Foi sair para tirar dinheiro no posto de gasolina perto do bar. A roqueira era linda demais para deixá-la sem uísque.
Voltando a cena de Sofia no boteco mais sujo, em que Fagner conduzia um casal na pista de dança mais decadente do mundo, o assunto agora era um conhecido de todos que andava anunciando que poderia vir um dia a talvez sair do armário. O papo consistia em todos os gays da mesma afirmarem que fulano sim-é-gay-eu-conheço-um-gay-de-longe-meu-amor e das garotas heteros falarem que não-acho-que-naquela-festa-no-prédio-da-cláudia-ele-queria-me-beijar. Isolada, Sofia continuava ouvindo a letra que saía da radiola. Agora, The Police empolgava com Every Breath You Take. Garçom, mais uma cerveja, por favor.
Roberto voltou ao bar, esticou o braço com o copo de uísque na mão para a roqueira bonitinha e antes que ela fisgasse a bebida, falou "me diga seu nome primeiro" e ela sorridente falou "Gisela" e aí eles começaram um papo besta sobre como era importante o incentivo a eventos como esse, que jazz experimental era o máximo e que gostavam muito daquele bar.
Sofia foi puxada para dançar por um mocinho da mesa ao lado.Dessa vez, a brega radiola tocava Gal Costa "Baby, baby, baby, eu sei que é assim, baby, baby, baby" e Sofia rodopiava com o mocinho no salão. Ele a levou até a quina da parece, colocou sua mão na perna de Sofia e beijou seu pescoço. Sofia rodou a nunca, dando uma volta tão longe que parecia nunca querer chegar na boca do mocinho. Até que chegou.
Roberto continuava o papo cabeça com a roqueira Gisela, até que a menina se cansou, um pouco envergonhada, é verdade, disse que morava ali perto e que poderia continuar a conversa por lá. Chegando ao sofá de Gisela, Roberto a pegou com força, a trouxe para cima de si e a beijou.
Sofia beijava o mocinho da mesa ao lado, Roberto beijava a roqueira bonitinha. E a sensação era, sempre, a mesma. Nenhum lábio era tão macio e as bocas jamais se encaixariam tão bem novamente como foi um dia. E naquele momento, exatamente naquele momento e talvez apenas naquele momento, Sofia e Roberto sentiram saudades.
Ao mesmo tempo, do outro lado da cidade, Roberto assistia a uma apresentação de jazz experimental, ouvia o som e seu sangue fervia. Ao seu lado, a roqueira de batom vermelho tinha belas curvas e um belo sorriso e bebia uma dose de uísque 12 anos. Roberto, então, ofereceu à Roqueira uma próxima rodada do drink e ela consentiu com um sorriso. Esqueceu o cartão de crédito. Merda! Foi sair para tirar dinheiro no posto de gasolina perto do bar. A roqueira era linda demais para deixá-la sem uísque.
Voltando a cena de Sofia no boteco mais sujo, em que Fagner conduzia um casal na pista de dança mais decadente do mundo, o assunto agora era um conhecido de todos que andava anunciando que poderia vir um dia a talvez sair do armário. O papo consistia em todos os gays da mesma afirmarem que fulano sim-é-gay-eu-conheço-um-gay-de-longe-meu-amor e das garotas heteros falarem que não-acho-que-naquela-festa-no-prédio-da-cláudia-ele-queria-me-beijar. Isolada, Sofia continuava ouvindo a letra que saía da radiola. Agora, The Police empolgava com Every Breath You Take. Garçom, mais uma cerveja, por favor.
Roberto voltou ao bar, esticou o braço com o copo de uísque na mão para a roqueira bonitinha e antes que ela fisgasse a bebida, falou "me diga seu nome primeiro" e ela sorridente falou "Gisela" e aí eles começaram um papo besta sobre como era importante o incentivo a eventos como esse, que jazz experimental era o máximo e que gostavam muito daquele bar.
Sofia foi puxada para dançar por um mocinho da mesa ao lado.Dessa vez, a brega radiola tocava Gal Costa "Baby, baby, baby, eu sei que é assim, baby, baby, baby" e Sofia rodopiava com o mocinho no salão. Ele a levou até a quina da parece, colocou sua mão na perna de Sofia e beijou seu pescoço. Sofia rodou a nunca, dando uma volta tão longe que parecia nunca querer chegar na boca do mocinho. Até que chegou.
Roberto continuava o papo cabeça com a roqueira Gisela, até que a menina se cansou, um pouco envergonhada, é verdade, disse que morava ali perto e que poderia continuar a conversa por lá. Chegando ao sofá de Gisela, Roberto a pegou com força, a trouxe para cima de si e a beijou.
Sofia beijava o mocinho da mesa ao lado, Roberto beijava a roqueira bonitinha. E a sensação era, sempre, a mesma. Nenhum lábio era tão macio e as bocas jamais se encaixariam tão bem novamente como foi um dia. E naquele momento, exatamente naquele momento e talvez apenas naquele momento, Sofia e Roberto sentiram saudades.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Aos que desistem
Escrevo nesse blog há um tempo e não, não acredito que alguém leia meus desabafos, minhas crenças, meus delírios. Porém, hoje vou pedir que, se tiver alguém aí lendo essa baboseira, você me ajude a desvendar o grande mistério da vida: por que as pessoas desistem?Eu entendo alguém desistir do emprego e ir morar no campo. Entendo as pessoas que desistem de comer carne e viram vegetarianas. Entendo as pessoas que desistem de engordar e fazem dietas ou desistem de emagrecer e tomam milkshakes. Eu entendo, juro que entendo. Mas eu nunca consegui entender aqueles que desistem do amor e, pior, de um amor real. Me digam, por favor me digam, o que diabos vocês tem na cabeça?
Não falo do amor romântico, não falo do amor abstrato. Tô falando de amor prático, amor companheiro, amor enfermeiro, amor que limpa seu vômito no dia pós bebedeira, que divide a conta com você, que assiste filme passando a mão no seu cabelo, que te dá boa noite antes de dormir, que escuta toda a briga que você teve com a sua mãe. Tô falando daquele amor ridículo que te faz ter apelidinhos ridículos, que te faz enfrentar o trânsito da cidade para um encontro.
E aí, um belo dia, vocês decidem acreditar que o desamor é melhor? Acreditam que as festas, as ficadas, a balada, as cervejas sem limites, os telefones que você vai conseguir com marca de batom, todos eles vão ser melhores do que aquele pé quentinho ao seu lado na cama? Deus do céu, seu imbecil, o que te faz acreditar que isso é melhor do que alguém que te ama, te deseja, te quer bem?
Acho que essas pessoas escolhem, de fato, a infelicidade. O masoquismo da solidão de um domingo pós farra, a ficha que cai ao perceber que todo mundo segue sua vida e que você, sem clichê, está sozinho. Sério, o que te faz pensar que a vida é melhor sem ele, ela, sem vocês dois juntos?
Para mim, todos burros. Burros e infelizes, querem sofrer e jamais acordar com um sorriso e um "amo você'. Sim, meu bem, porque a mocinha da balada não te ama. E, se ela disser isso, provavelmente bebeu muita vodka e confundiu com o ex dela que também desistiu.
Prestem mais atenção na pessoa ao seu lado. Prestem mais atenção no jeito que ela come, no sorriso dela, na forma dela de fazer perguntas, no jeito que ele coça a barba ou mexe a cabeça quando está irritado. Lembre que vocês dois amam pão de queijo, lembrem que com ela você não tem vergonha de pedir a promoção do restaurante e que confessam, um para outro, não gostar tanto assim de Beatles. E se, mesmo assim, você preferir a solidão de um copo de uísque, com muito ou pouco gelo e umas gatinhas para azarar, meu querido, eu tenho pena de você. Vão ser sozinhos lá na china, eu quero mais é amar.
Não falo do amor romântico, não falo do amor abstrato. Tô falando de amor prático, amor companheiro, amor enfermeiro, amor que limpa seu vômito no dia pós bebedeira, que divide a conta com você, que assiste filme passando a mão no seu cabelo, que te dá boa noite antes de dormir, que escuta toda a briga que você teve com a sua mãe. Tô falando daquele amor ridículo que te faz ter apelidinhos ridículos, que te faz enfrentar o trânsito da cidade para um encontro.
E aí, um belo dia, vocês decidem acreditar que o desamor é melhor? Acreditam que as festas, as ficadas, a balada, as cervejas sem limites, os telefones que você vai conseguir com marca de batom, todos eles vão ser melhores do que aquele pé quentinho ao seu lado na cama? Deus do céu, seu imbecil, o que te faz acreditar que isso é melhor do que alguém que te ama, te deseja, te quer bem?
Acho que essas pessoas escolhem, de fato, a infelicidade. O masoquismo da solidão de um domingo pós farra, a ficha que cai ao perceber que todo mundo segue sua vida e que você, sem clichê, está sozinho. Sério, o que te faz pensar que a vida é melhor sem ele, ela, sem vocês dois juntos?
Para mim, todos burros. Burros e infelizes, querem sofrer e jamais acordar com um sorriso e um "amo você'. Sim, meu bem, porque a mocinha da balada não te ama. E, se ela disser isso, provavelmente bebeu muita vodka e confundiu com o ex dela que também desistiu.
Prestem mais atenção na pessoa ao seu lado. Prestem mais atenção no jeito que ela come, no sorriso dela, na forma dela de fazer perguntas, no jeito que ele coça a barba ou mexe a cabeça quando está irritado. Lembre que vocês dois amam pão de queijo, lembrem que com ela você não tem vergonha de pedir a promoção do restaurante e que confessam, um para outro, não gostar tanto assim de Beatles. E se, mesmo assim, você preferir a solidão de um copo de uísque, com muito ou pouco gelo e umas gatinhas para azarar, meu querido, eu tenho pena de você. Vão ser sozinhos lá na china, eu quero mais é amar.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Change!
Existe coisa mais clichê do que dizer que cada pessoa que passa em nossa vida é única? Porém, há clichê mais correto?
Há pessoas que mudam a nossa vida. Reviram tudo, nos deixam de perna bamba. Transformam nossa rotina, nem que seja a rotina do pensamento. E aí a gente se pergunta "mas como foi mesmo que isso aconteceu?". Há coisas que não sabemos o início, só nos damos conta quando estamos lá no meio da história. Completamente envolvidos, completamente encantados, quiçá, completamente apaixonados. Há momentos difíceis pelos quais passamos que nos endurecem, nos transformam e nos tornam diferentes do que imaginávamos que seríamos. E vamos lidando de maneiras inesperadas com os momentos inesperados da vida, pois não teria graça se tudo fosse tão previsível e cinza como um dia de domingo.
Eu gosto de vermelho, de fervor. Gosto de cores fortes, roupas coloridas, esmaltes chamativos. Não, não gosto de cores neutras, pessoas neutras, sentimentos neutros. Venha cá, me traga intensidade. Me mostre o paraíso, me leve ao inferno, mas me faça pulsar. Eu quero sentir meu coração extrapolando o meu peito, quero esperar você na janela, quero suar em pensar que você está chegando. Vem, me abraça, me olha, me deixa na dúvida, brinca de bem me quer ou mal me quer comigo, mas me tira dessa paz, desses momentos tão simples e calmos que não combinam comigo nem com o meu coração.
Me faça arrancar os cabelos, enlouquecer, tomar doses de uisque. Mas mude, mude a minha vida. Para sempre.
domingo, 18 de setembro de 2011
Domingo.
Você acorda, olha a hora. A cabeça lateja um pouco, a boca está seca e tudo que você quer é água. Relembra das risadas da noite que passou, lembra do amigo dançando aquela música ridícula e se lembra do garoto que te beijou no corredor entre os banheiros feminino e masculino. Também lembra que ele não pediu seu telefone, não perguntou o seu nome, não disse como se chamava. E, dessa forma, mais um final de semana passou e você fez tantas coisas legais. Bebeu, dançou, riu, beijou, dormiu. Mas, pera aí, isso aí é a descrição desse final de semana ou do da semana passada? A verdade é que todos os domingos são idênticos. Muita história para contar, mas nada que te faça pulsar, que te faça engolir aquele sorriso bobo. E a vida segue na mesmice, com as mesmas pessoas, nos mesmos lugares, com as mesmas conversas. E você tá aí, achando o máximo.
As pessoas tem medo de envolvimento. É mais fácil fugir, fingir. Não estão preparadas para nada real. Não estão preparadas para uma boa conversa, um bom vinho, um bom filme, uma boa companhia. Preferem quantidade à qualidade. Preferem não ter a correr riscos de ter e perder. Preferem cantadas vazias na fila do banheiro, pois falar dos próprios sentimentos assusta.
A quem culpar? Todos temos medo. Medo do que podemos ser, essa é a verdade. Medo de se machucar. Todos nós, de uma maneira ou de outra, estamos muito machucados ainda - seja lá com qualquer coisa. Seja com a rejeição do Paulinho da alfabetização ou do namoro que acabou há um ano. E aí vestimos a camisa da independência do sábado à noite, mas no domingo não há como negar. Você está sozinho.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
quinze de setembro.
O destino é muito, muito malandro. Eu jamais imaginei que um dia, um dia como esses, fosse retratado através dos meus textos bobos. Mas é o que me resta e vou tentar fazer da maneira mais bonita que conseguir.
Você já teve um grande amor? Amor de uma vida inteira, amor que te faz dividir tudo, esperar tudo, doar tudo. Amor que te faz ser tudo. Esperar acordada até o outro chegar do trabalho, chorar de alegria quando ele obtém uma grande vitória, suar frio em imaginar perder. Amar de corpo, alma, sentimento, espírito. Ter a certeza que o amor vem de muitas, muitas vidas. Pedir que deus proteja essa pessoa, pedir mais por ela do que por você. Você já amou? Sim, eu já amei. Amei e amo muito.
Acontece que as vezes a vida nos separa. Meu pai me disse uma vez que separar e unir são os dois princípios universais do amor, pois é preciso reconhecer se é justo ou não estar perto de quem ama. Nós não fomos tudo aquilo que seu desejei, e e acreditei, sermos. Quebramos, partimos, acabamos. E hoje é a primeira vez após muitas vezes que não vou estar ao seu lado no seu aniversário, que não vou te abraçar forte, te desejar coisas lindas e pedir, com muita força, para que ainda passe muitas datas como essa com você. Hoje, para mim, será um dia completamente normal. Não estarei presente nas comemorações, nas fotos e nem nas recordações. E também sei que a tendência será essa. A cada ano que chegar será mais e mais comum estar longe e até esqueceremos do aniversário um do outro, talvez daqui a 10 anos eu não me lembre mais se você era de virgem ou de aquário. Mas hoje, hoje o dia quinze de setembro ainda é um dos dias mais bonitos do ano para mim e eu vou aproveitar para te desejar mil e uma coisas lindas, para te dizer que você merece o mundo inteiro e , por mais clichê que isso seja, que eu te desejo todas as coisas boas. Mesmo. Eu quero que você tenha um novo ano maravilhoso, cheio de esperança, cheio de realizações, cheio de presentes da vida. Que você tenha dias lindos com seus amigos, sua família. Que só chore se for de alegria, que sorria até a barriga doer, que ouça a sua música preferida várias vezes, que ria com vídeos novos do youtube, que beba muita cerveja e coma muito chocolate, carne, farofa e purê de queijo. Que seja um ano incrível, que seja o melhor ano da sua vida.
De todo o meu coração, feliz aniversário. Agora são vinte e uma primaveras, já é um homem diante do mundo. Um homem maravilhoso, cheio de qualidades, de sonhos e de força.
Boa sorte.
Você já teve um grande amor? Amor de uma vida inteira, amor que te faz dividir tudo, esperar tudo, doar tudo. Amor que te faz ser tudo. Esperar acordada até o outro chegar do trabalho, chorar de alegria quando ele obtém uma grande vitória, suar frio em imaginar perder. Amar de corpo, alma, sentimento, espírito. Ter a certeza que o amor vem de muitas, muitas vidas. Pedir que deus proteja essa pessoa, pedir mais por ela do que por você. Você já amou? Sim, eu já amei. Amei e amo muito.
Acontece que as vezes a vida nos separa. Meu pai me disse uma vez que separar e unir são os dois princípios universais do amor, pois é preciso reconhecer se é justo ou não estar perto de quem ama. Nós não fomos tudo aquilo que seu desejei, e e acreditei, sermos. Quebramos, partimos, acabamos. E hoje é a primeira vez após muitas vezes que não vou estar ao seu lado no seu aniversário, que não vou te abraçar forte, te desejar coisas lindas e pedir, com muita força, para que ainda passe muitas datas como essa com você. Hoje, para mim, será um dia completamente normal. Não estarei presente nas comemorações, nas fotos e nem nas recordações. E também sei que a tendência será essa. A cada ano que chegar será mais e mais comum estar longe e até esqueceremos do aniversário um do outro, talvez daqui a 10 anos eu não me lembre mais se você era de virgem ou de aquário. Mas hoje, hoje o dia quinze de setembro ainda é um dos dias mais bonitos do ano para mim e eu vou aproveitar para te desejar mil e uma coisas lindas, para te dizer que você merece o mundo inteiro e , por mais clichê que isso seja, que eu te desejo todas as coisas boas. Mesmo. Eu quero que você tenha um novo ano maravilhoso, cheio de esperança, cheio de realizações, cheio de presentes da vida. Que você tenha dias lindos com seus amigos, sua família. Que só chore se for de alegria, que sorria até a barriga doer, que ouça a sua música preferida várias vezes, que ria com vídeos novos do youtube, que beba muita cerveja e coma muito chocolate, carne, farofa e purê de queijo. Que seja um ano incrível, que seja o melhor ano da sua vida.
De todo o meu coração, feliz aniversário. Agora são vinte e uma primaveras, já é um homem diante do mundo. Um homem maravilhoso, cheio de qualidades, de sonhos e de força.
Boa sorte.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
E...já!
O site astrológico disse que era tempo de renovação. Também disseram que, por essas épocas de inferno astral, eu estaria em contato maior comigo mesma e, portanto, mais segura de mim.
Bem, eu não acredito cem porcento em astrologia. Também não sei se esse lance de inferno astral é verdade. Só sei que o meu último ano foi, sim, um período em que me encontrei mais, me entendi mais e hoje me sinto mais "minha" do que nunca.
Sempre acreditei que todos os dias a gente deve tentar ser aquela pessoa que queremos ser. Seremos longe do ideal, mas o máximo de proximidade que conseguirmos será motivo para comemorar. Quero ser mais doce, quero ser mais inteligente, quero ser mais rica, quero ter mais amor, quero sorrir mais, quero ter mais saúde, quero ser mais organizada, mais, mais, mais. Queremos sempre mais. Esse ano, entretanto, foi o ano do meu menos. Fui menos chorona, menos medrosa, menos rancorosa, menos imatura, menos impulsiva, menos inconsequente. E, dessa forma, eu me tornei mais.
Foi um ano cheio de mudanças. E hoje, às 23h do dia 23 de agosto, a uma hora dos meus vinte anos, eu posso dizer que sim, eu sou feliz. Estou feliz. Ganhei pessoas, música, risadas, viagens, experiências lindas e eternas. Conquistei espaços, cresci internamente. Redirecionei os sonhos, o pensamento e os sentimentos. Pensei mais em mim, tentei ser mais eu. Um pouquinho de egoísmo não faz mal a ninguém.
Há 10 anos, eu pensei que aos vinte seria uma adulta. Aos 15, pensei que aos vinte seria bonita. Aos 18, achei que aos vinte teria conquistado o que sonhei. Aos vinte, me vejo imensamente feliz pela minha sede de viver e aprender que estamos sempre crescendo. A arte de transformar momentos difíceis em boas escadas é o que tenho tentado fazer.
E que venham mais brindes, mais sorrisos, mais músicas, mais beijos, mais livros, mais viagens, mais amores, mais cervejas, mais chocolates, mais sorrisos de novo. Que venha tudo que me faça sentir bem. Que venha com tudo. Estou pronta e com vontade de viver. Pode vir, vem que eu quero.
Que os vinte sejam melhores, muito melhores.
Feliz aniversário. Feliz ano novo. 1, 2,3 e já.
Bem, eu não acredito cem porcento em astrologia. Também não sei se esse lance de inferno astral é verdade. Só sei que o meu último ano foi, sim, um período em que me encontrei mais, me entendi mais e hoje me sinto mais "minha" do que nunca.
Sempre acreditei que todos os dias a gente deve tentar ser aquela pessoa que queremos ser. Seremos longe do ideal, mas o máximo de proximidade que conseguirmos será motivo para comemorar. Quero ser mais doce, quero ser mais inteligente, quero ser mais rica, quero ter mais amor, quero sorrir mais, quero ter mais saúde, quero ser mais organizada, mais, mais, mais. Queremos sempre mais. Esse ano, entretanto, foi o ano do meu menos. Fui menos chorona, menos medrosa, menos rancorosa, menos imatura, menos impulsiva, menos inconsequente. E, dessa forma, eu me tornei mais.
Foi um ano cheio de mudanças. E hoje, às 23h do dia 23 de agosto, a uma hora dos meus vinte anos, eu posso dizer que sim, eu sou feliz. Estou feliz. Ganhei pessoas, música, risadas, viagens, experiências lindas e eternas. Conquistei espaços, cresci internamente. Redirecionei os sonhos, o pensamento e os sentimentos. Pensei mais em mim, tentei ser mais eu. Um pouquinho de egoísmo não faz mal a ninguém.
Há 10 anos, eu pensei que aos vinte seria uma adulta. Aos 15, pensei que aos vinte seria bonita. Aos 18, achei que aos vinte teria conquistado o que sonhei. Aos vinte, me vejo imensamente feliz pela minha sede de viver e aprender que estamos sempre crescendo. A arte de transformar momentos difíceis em boas escadas é o que tenho tentado fazer.E que venham mais brindes, mais sorrisos, mais músicas, mais beijos, mais livros, mais viagens, mais amores, mais cervejas, mais chocolates, mais sorrisos de novo. Que venha tudo que me faça sentir bem. Que venha com tudo. Estou pronta e com vontade de viver. Pode vir, vem que eu quero.
Que os vinte sejam melhores, muito melhores.
Feliz aniversário. Feliz ano novo. 1, 2,3 e já.
domingo, 14 de agosto de 2011
Mudam as roupas, os números de telefone, o peso, a idade, as músicas. Só não dá para mudar as paixões. Essas ficam impregnadas na alma, como whisky fica no hálito. E vai dando saudade, saudade de mim e de você e de tudo que a gente era, de como a gente era, de como a gente era. Dos sonhos que eu tinha, acreditava e torcia para que se tornassem reais. Tenho saudades da pessoa que eu era com você todos os dias. Todos os dias.
As coisas ficam sempre bem, não há dor ou mal que dure para sempre - pelo menos não o tempo inteiro. Mas, o destino é menino mimado, não pode ver a gente bem que tenta dar uma rasteira. Uma pessoa passa com o seu perfume, com o seu cabelo, com o seu sorriso. Na verdade acho que nenhum deles tinham nada de você, mas é tanta saudade dentro de mim que tento te enxergar a todo custo.
Vem cá, deixa eu te falar da última semana, deixa eu te falar do restaurante novo que eu descobri, da banda coreana que eu to viciada, do filme que eu assisti no cinema e odiei. Deixa eu te dizer que tive uma febre que quase me matou, que minha mãe casou e foi morar na Rússia, deixa eu te falar do capítulo da novela, da minha dor nas costas. Mas deixa eu te falar da minha vida, eu não consigo imaginar coisa mais estranha do que viver sem você saber.
E aos poucos eu vou me tornando alguém que você não conhece, alguém que eu também não conhecia. Essa pessoa que eu sou hoje combina com a minha nova vida. Novo trabalho, novos amigos, novas músicas. E você vai fazendo parte do que eu fui, mas continua aqui dentro de mim, no que eu sou.
Você não para de pulsar dentro de mim.
As coisas ficam sempre bem, não há dor ou mal que dure para sempre - pelo menos não o tempo inteiro. Mas, o destino é menino mimado, não pode ver a gente bem que tenta dar uma rasteira. Uma pessoa passa com o seu perfume, com o seu cabelo, com o seu sorriso. Na verdade acho que nenhum deles tinham nada de você, mas é tanta saudade dentro de mim que tento te enxergar a todo custo.
Vem cá, deixa eu te falar da última semana, deixa eu te falar do restaurante novo que eu descobri, da banda coreana que eu to viciada, do filme que eu assisti no cinema e odiei. Deixa eu te dizer que tive uma febre que quase me matou, que minha mãe casou e foi morar na Rússia, deixa eu te falar do capítulo da novela, da minha dor nas costas. Mas deixa eu te falar da minha vida, eu não consigo imaginar coisa mais estranha do que viver sem você saber.
E aos poucos eu vou me tornando alguém que você não conhece, alguém que eu também não conhecia. Essa pessoa que eu sou hoje combina com a minha nova vida. Novo trabalho, novos amigos, novas músicas. E você vai fazendo parte do que eu fui, mas continua aqui dentro de mim, no que eu sou.
Você não para de pulsar dentro de mim.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Quando Téo foi embora.
Quando eu e Téo resolvemos acabar o nosso casamento - acabar, que maneira horrível de se dizer que não se tem mais um relacionamento. Mas é isso mesmo que fazemos, não é? Acabamos os sonhos, os planos e tentamos até acabar com as memórias - foi um acordo. Ambos sabíamos que o sol não brilhava mais em nossa casa como tinha brilhado um dia. As longas conversas na sala de estar sobre anarquismo, a novela, a vida do vizinho ou o futuro político do país tinham se resumido a "boa noite, meu bem, estou com dor de cabeça e vou me deitar" e blá blá blá, todas aquelas amenidades que se fala quando já não se tem mais tesão de sentar e fazer qualquer coisa, nem que essa noite seja nada.
Em um almoço, entre o "me passa a verdura, querido" e o "o peixe poderia estar mais salgado, meu bem", Téo me disse que gostaria de pedir o divórcio. Continuei comendo, mastigando e ouvindo o som dos meus dentes rasgando a comida, lembrando de respirar para não morrer e de piscar. Não consegui dizer nada naquele momento. Téo, por sua vez, continuou fazendo o que mais sabia: fingindo que nada estava acontecendo.
Um dia após a ida de Téo, notei que a minha casa era mais vazia do que eu tinha noção. Os móveis pareciam todos de outra pessoa, nada mais tinha a minha cara. E foi quando eu notei que quando eu era de Téo, eu era outra. Que se eu morasse sozinha, a casa seria totalmente diferente. E não, não pensem que Téo era um desses manipuladores que ajeitam tudo da maneira que mais gostam, porque Téo sempre foi um bom menino e até mais fácil de ceder do que eu. A verdade era que, por alguma razão, com ele eu era mais viva, mais corajosa e e mais maluca. A parede vermelha da sala não fazia mais sentido. Sem Téo, eu não era o tipo de pessoa que tinha uma parede vermelha em casa. Precisava de tons pastéis.
Após alguns meses, a casa ficou sendo cada vez mais minha. Tirei a bicicleta de Téo da varanda, mandei pra casa da mãe dele. Me mudei para o quarto do meio e fiz da suíte uma sala de TV. Pouco a pouco, fui preenchendo a casa com outros móveis, outras lembranças e deixando Téo cada vez mais no passado. Mas, como uma assombração ou milagre, ainda sentia a sua presença em todos os cômodos do apartamento. Téo não estava mais na casa, mas estava ainda em mim. Tão em mim, tão dentro de mim, tão forte e presente em mim que eu achava um absurdo achar que eu não estava mais nele. Bem, eu não estava.
Durante anos, esperei o telefonema de Téo, o interfone tocar e alguém lá no térreo falar "oi, sou eu, voltei para nossa casa e a nossa parede vermelha, me aceite de volta". Não, Téo nunca voltou, jamais telefonou. E, sim, eu ainda espero Téo. Ainda acho que um dia isso acontecerá, alguma coisa dentro de mim me diz que Téo um dia vai chegar.
Tive vários namorados, amantes, ficadas, amigos com benefícios. Mas jamais trouxe alguém à minha casa com Téo. Nunca tive coragem de destruir a última lembrança que restava: o nosso amor dentro do nosso lar. E, as vezes, quando estou sozinha, na cozinha ou na varanda, sinto a sensação que Téo está tomando banho ou lendo jornal. Penso que ele saiu e foi comprar pão, que foi comprar cigarros e cerveja. Penso que Téo vai chegar a qualquer momento.
Deixo apenas uma lágrima cair, levanto a cabeça e saio de casa. Um dia o telefone vai tocar.
Em um almoço, entre o "me passa a verdura, querido" e o "o peixe poderia estar mais salgado, meu bem", Téo me disse que gostaria de pedir o divórcio. Continuei comendo, mastigando e ouvindo o som dos meus dentes rasgando a comida, lembrando de respirar para não morrer e de piscar. Não consegui dizer nada naquele momento. Téo, por sua vez, continuou fazendo o que mais sabia: fingindo que nada estava acontecendo.
Um dia após a ida de Téo, notei que a minha casa era mais vazia do que eu tinha noção. Os móveis pareciam todos de outra pessoa, nada mais tinha a minha cara. E foi quando eu notei que quando eu era de Téo, eu era outra. Que se eu morasse sozinha, a casa seria totalmente diferente. E não, não pensem que Téo era um desses manipuladores que ajeitam tudo da maneira que mais gostam, porque Téo sempre foi um bom menino e até mais fácil de ceder do que eu. A verdade era que, por alguma razão, com ele eu era mais viva, mais corajosa e e mais maluca. A parede vermelha da sala não fazia mais sentido. Sem Téo, eu não era o tipo de pessoa que tinha uma parede vermelha em casa. Precisava de tons pastéis.
Após alguns meses, a casa ficou sendo cada vez mais minha. Tirei a bicicleta de Téo da varanda, mandei pra casa da mãe dele. Me mudei para o quarto do meio e fiz da suíte uma sala de TV. Pouco a pouco, fui preenchendo a casa com outros móveis, outras lembranças e deixando Téo cada vez mais no passado. Mas, como uma assombração ou milagre, ainda sentia a sua presença em todos os cômodos do apartamento. Téo não estava mais na casa, mas estava ainda em mim. Tão em mim, tão dentro de mim, tão forte e presente em mim que eu achava um absurdo achar que eu não estava mais nele. Bem, eu não estava.
Durante anos, esperei o telefonema de Téo, o interfone tocar e alguém lá no térreo falar "oi, sou eu, voltei para nossa casa e a nossa parede vermelha, me aceite de volta". Não, Téo nunca voltou, jamais telefonou. E, sim, eu ainda espero Téo. Ainda acho que um dia isso acontecerá, alguma coisa dentro de mim me diz que Téo um dia vai chegar.
Tive vários namorados, amantes, ficadas, amigos com benefícios. Mas jamais trouxe alguém à minha casa com Téo. Nunca tive coragem de destruir a última lembrança que restava: o nosso amor dentro do nosso lar. E, as vezes, quando estou sozinha, na cozinha ou na varanda, sinto a sensação que Téo está tomando banho ou lendo jornal. Penso que ele saiu e foi comprar pão, que foi comprar cigarros e cerveja. Penso que Téo vai chegar a qualquer momento.
Deixo apenas uma lágrima cair, levanto a cabeça e saio de casa. Um dia o telefone vai tocar.
terça-feira, 28 de junho de 2011
.
Eu não quero morrer sozinha. Não, eu quero uma casa cheia de amigos, até lá quero ter encontrado o amor da minha vida e quero filhos que preencham com netos e bisnetos. Quero compartilhar com as pessoas que eu amo cada pedacinho de mim, cada erro ou vitória, para que elas possam fazer igual ou diferente do que eu fiz - dependendo do sucesso.
Quero ter 50 anos e sentar em uma mesa com as minhas amigas de hoje e relembrar como tudo era lindo e fácil. Relembrar as músicas, as cores do mundo, os amores e indagar sobre por onde anda aqueles que não temos notícias há tempos.
Eu quero gente. As pessoas são a coisa mais importante da minha vida. Ter um bom amigo pra compartilhar dor ou alegria. Ter um amor verdadeiro para dividir angústia e fé. Ter uma família que me dê sentimentos além do porta retratos. Não, definitivamente, eu não quero morrer sozinha.
No entanto, muitas vezes nós recebemos em nossas vidas pessoas que não se importam em terminarem sozinhas. Pessoas mais preocupadas com o bem estar do seu ego, com a satisfação do seu grande 'eu'. Esses, sem dúvida, morrem sozinhos. E aí daqui a 40 ou 50 anos, sentados na solidão de uma cadeira de balanço, vão contar quantos amigos e amores deixaram passar. Para quê? Para nada. Buscavam uma coisa que não sabiam. Assim é fácil. É fácil colocar a culpa na indecisão, na confusão, na 'introspectividade'. Não. O nome disso é crueldade. Você ferir sem pensar, você cometer atos que magoam as pessoas que mais amam você, não é falta de comunicação. É falta de caráter.
Eu acredito em mim e acredito no mundo. Sei que há muita gente boa no planeta, gente capaz de ser leal, de se entregar de verdade, de realizar atitudes menos egoístas e mais altruístas. E é por esse tipo de gente que eu continuo não querendo morrer sozinha. Eu quero morrer com eles.
Tomei uma decisão. A partir de agora, vou praticar a memória seletiva. A todos aqueles que me fizeram mal, que me contaram mentiras, que me fizeram acreditar que eu estava vendo coisas que não existiam, enquanto planejavam atitudes perversas e cruéis, o meu esquecimento. Não quero lembrar de nenhum sorriso que dei para essas pessoas, de nenhum carinho, de nenhuma palavra amiga. Não quero lembrar de viagens, filmes, palavras de perdão ou confiança. Esqueci de vocês. Todos vocês que também se esqueceram de mim e dos meus sentimentos.
Saber mudar é um dom que nós humanos temos. A racionalidade nos proporciona inteligência para nos adaptar a novos desafios e situações. Vai ser fácil viver sem eles. Só não sei se vai ser fácil viver sem mim. Afinal, ao contrário de mim que não perco nada, muita gente anda perdendo uma amiga leal, fiel, honesta e incapaz de cometer uma atitude tão abominável a fim de massagear o ego.
Até hoje nunca tinha parado pra pensar o quanto era triste a tal da indiferença. Talvez não seja triste para quem se torna indiferente, mas para quem sente é bem triste. Pelo menos para mim. Não estou acostumada a não sentir nada. Eu sou do tipo que sente. Eu sinto muito.
Meu coração estará sempre aberto às boas pessoas da vida. Aos antigos e velhos amigos, aos amores inesquecíveis de infância - como o Dudu do maternal - e aos novos amores que chegam e me fazem passar madrugadas em claro ao telefone, só pelo gostinho de estar um pouco mais perto, aos amigos recentes que se fazem presentes em situações necessárias. A essas pessoas, dedico todo o meu carinho e atenção. Pois, graças a deus, eu sou um ser capaz de amar. E amar de verdade.
"A força do corpo se encontra na excelência do caráter".
Quero ter 50 anos e sentar em uma mesa com as minhas amigas de hoje e relembrar como tudo era lindo e fácil. Relembrar as músicas, as cores do mundo, os amores e indagar sobre por onde anda aqueles que não temos notícias há tempos.
Eu quero gente. As pessoas são a coisa mais importante da minha vida. Ter um bom amigo pra compartilhar dor ou alegria. Ter um amor verdadeiro para dividir angústia e fé. Ter uma família que me dê sentimentos além do porta retratos. Não, definitivamente, eu não quero morrer sozinha.
No entanto, muitas vezes nós recebemos em nossas vidas pessoas que não se importam em terminarem sozinhas. Pessoas mais preocupadas com o bem estar do seu ego, com a satisfação do seu grande 'eu'. Esses, sem dúvida, morrem sozinhos. E aí daqui a 40 ou 50 anos, sentados na solidão de uma cadeira de balanço, vão contar quantos amigos e amores deixaram passar. Para quê? Para nada. Buscavam uma coisa que não sabiam. Assim é fácil. É fácil colocar a culpa na indecisão, na confusão, na 'introspectividade'. Não. O nome disso é crueldade. Você ferir sem pensar, você cometer atos que magoam as pessoas que mais amam você, não é falta de comunicação. É falta de caráter.
Eu acredito em mim e acredito no mundo. Sei que há muita gente boa no planeta, gente capaz de ser leal, de se entregar de verdade, de realizar atitudes menos egoístas e mais altruístas. E é por esse tipo de gente que eu continuo não querendo morrer sozinha. Eu quero morrer com eles.
Tomei uma decisão. A partir de agora, vou praticar a memória seletiva. A todos aqueles que me fizeram mal, que me contaram mentiras, que me fizeram acreditar que eu estava vendo coisas que não existiam, enquanto planejavam atitudes perversas e cruéis, o meu esquecimento. Não quero lembrar de nenhum sorriso que dei para essas pessoas, de nenhum carinho, de nenhuma palavra amiga. Não quero lembrar de viagens, filmes, palavras de perdão ou confiança. Esqueci de vocês. Todos vocês que também se esqueceram de mim e dos meus sentimentos.
Saber mudar é um dom que nós humanos temos. A racionalidade nos proporciona inteligência para nos adaptar a novos desafios e situações. Vai ser fácil viver sem eles. Só não sei se vai ser fácil viver sem mim. Afinal, ao contrário de mim que não perco nada, muita gente anda perdendo uma amiga leal, fiel, honesta e incapaz de cometer uma atitude tão abominável a fim de massagear o ego.
Até hoje nunca tinha parado pra pensar o quanto era triste a tal da indiferença. Talvez não seja triste para quem se torna indiferente, mas para quem sente é bem triste. Pelo menos para mim. Não estou acostumada a não sentir nada. Eu sou do tipo que sente. Eu sinto muito.
Meu coração estará sempre aberto às boas pessoas da vida. Aos antigos e velhos amigos, aos amores inesquecíveis de infância - como o Dudu do maternal - e aos novos amores que chegam e me fazem passar madrugadas em claro ao telefone, só pelo gostinho de estar um pouco mais perto, aos amigos recentes que se fazem presentes em situações necessárias. A essas pessoas, dedico todo o meu carinho e atenção. Pois, graças a deus, eu sou um ser capaz de amar. E amar de verdade.
"A força do corpo se encontra na excelência do caráter".
domingo, 26 de junho de 2011
Ainda. E sempre.
Ainda e sempre são as duas palavras chave de hoje. O tempo parece passar se arrastando e, na verdade, tudo está igual. Bem igual.
Não importa em que estágio de vida nós estamos, sempre temos sentimentos ridículos como medo, covardia, vontade de sair correndo, mania de perseguição, achar que tudo vai dar sempre errado. Porque é mais fácil desistir do que tentar fazer diferente, não é mesmo? É mais fácil dizer "não ia dar em nada, mesmo" e aceitar a condição de viver sempre mais do mesmo. É seguro.
Até nossos relacionamentos nos mostram isso. Já reparou que todas as pessoas que você se envolve possuem um traço em comum? E é muito provável que esse traço seja aquele defeito que você acha insuportável, mas pra você fica mais cômodo administrar o mesmo defeito. Afinal, você já está acostumado com ele. E aí não importa se você já teve dois, três ou 15 namorados, se você tiver 30 anos hoje, você está saindo com a mesma pessoa desde os 15. Eles são os mesmos. E não venha me dizer que não.
Pessoas novas trazem novas sensações, novos toques e novas descobertas. Elas querem saber coisas da sua vida que você nunca contou para ninguém, porque todos aqueles outros nunca se interessaram em saber. Assusta, assusta muito. Mas me sinto menos assustada em encarar o novo do que viver presa no passado.
Outro erro nosso é não se permitir adaptar aos novos desejos, às novas exigências. Queremos nos comportar de forma igual com todo mundo. E aí vem o conflito. Não é mais a mesma pessoa, portanto, você precisa ter boa vontade e tentar entender as novas questões. Você não nasceu pronto, a gente ficou 'assim' após as experiências passadas. Que tal tratar cada nova experiência como se fosse a primeira?
E daí se daqui a alguns meses não vai dar certo? E daí se vocês se tornarem dois estranhos, falarem apenas o necessário e acabem falando coisas estúpidas na hora de uma briga? Ou pior, e se daqui a alguns meses ou anos seja tudo tão tedioso que não haja nem brigas?
As possibilidades de não dar certo, de ser só mais uma pessoa para sua coleção, são muitas. Mas também há aquela possibilidade de vocês viverem uma grande história, a história da vida de vocês. De não ser só mais um, de ser O alguém. De vocês construirem uma casa, ter filhos, comemorar juntos as conquistas da vida. Tem a possibilidade disso, disso tudo aqui, dar certo.
As possibilidades que você acredita na vida, definem que você é. É preciso ter sempre um pouco mais de fé.
Não importa em que estágio de vida nós estamos, sempre temos sentimentos ridículos como medo, covardia, vontade de sair correndo, mania de perseguição, achar que tudo vai dar sempre errado. Porque é mais fácil desistir do que tentar fazer diferente, não é mesmo? É mais fácil dizer "não ia dar em nada, mesmo" e aceitar a condição de viver sempre mais do mesmo. É seguro.
Até nossos relacionamentos nos mostram isso. Já reparou que todas as pessoas que você se envolve possuem um traço em comum? E é muito provável que esse traço seja aquele defeito que você acha insuportável, mas pra você fica mais cômodo administrar o mesmo defeito. Afinal, você já está acostumado com ele. E aí não importa se você já teve dois, três ou 15 namorados, se você tiver 30 anos hoje, você está saindo com a mesma pessoa desde os 15. Eles são os mesmos. E não venha me dizer que não.
Pessoas novas trazem novas sensações, novos toques e novas descobertas. Elas querem saber coisas da sua vida que você nunca contou para ninguém, porque todos aqueles outros nunca se interessaram em saber. Assusta, assusta muito. Mas me sinto menos assustada em encarar o novo do que viver presa no passado.
Outro erro nosso é não se permitir adaptar aos novos desejos, às novas exigências. Queremos nos comportar de forma igual com todo mundo. E aí vem o conflito. Não é mais a mesma pessoa, portanto, você precisa ter boa vontade e tentar entender as novas questões. Você não nasceu pronto, a gente ficou 'assim' após as experiências passadas. Que tal tratar cada nova experiência como se fosse a primeira?
E daí se daqui a alguns meses não vai dar certo? E daí se vocês se tornarem dois estranhos, falarem apenas o necessário e acabem falando coisas estúpidas na hora de uma briga? Ou pior, e se daqui a alguns meses ou anos seja tudo tão tedioso que não haja nem brigas?
As possibilidades de não dar certo, de ser só mais uma pessoa para sua coleção, são muitas. Mas também há aquela possibilidade de vocês viverem uma grande história, a história da vida de vocês. De não ser só mais um, de ser O alguém. De vocês construirem uma casa, ter filhos, comemorar juntos as conquistas da vida. Tem a possibilidade disso, disso tudo aqui, dar certo.
As possibilidades que você acredita na vida, definem que você é. É preciso ter sempre um pouco mais de fé.
domingo, 19 de junho de 2011
eu desafio você a me amar.
Te proponho um desafio. Não vai ser fácil. É preciso ser muito valente, ter coragem e fé. Valentia para enfrentar as horas de dúvida, coragem para me receber e fé para achar que pode dar certo. Te desafio a me abraçar, a olhar nos meus olhos e receber um beijo. Te desafio a ver um filme de mãos dadas. Te desafio a saber minha cor preferida, o número do meu sapato, a primeira palavra que eu falei na vida e o meu dia da semana favorito. Te desafio a me contar com quantos anos você aprendeu a andar de bicicleta, quando foi o seu primeiro beijo e o que você acha sobre bomba nuclear. Te desafio a me ensinar músicas, a me mostrar filmes, a me mostrar antigos poemas, antigos contos que você escreveu e nem se lembra pra quem. Te desafio a dividir a comida, a rachar a conta do restaurante e a tomar uma cerveja. Te desafio a fazer massagem nos meus pés, te desafio a falar comigo por 5 horas seguidas ao telefone. Te desafio a sorrir até ficar sem ar, te desafio a pensar em mim, te desafio a ter alguém que fica ansiosa pra falar com você. Te desafio a ser feliz. Te desafio a se deixar levar por essa onda da vida que nos traz pessoas e lugares inexplicáveis. Pois só quem aceita o desafio, vive. As vezes é preciso aprender a aceitar a possibilidade de perder para poder ganhar. Te desafio a ter o copo meio cheio e meio vazio e lutar comigo para tentar ver sempre o lado preenchido. É vivendo que a gente se deixa sentir e é sentindo que a gente vive.
Fica, vai ter amor.
Fica, vai ter amor.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Tentar.
Acreditar.
É isso que fazemos o tempo inteiro. Por mais que o mundo avise, que os indícios sejam evidentes, que o seu sexto sentido alarde. Nós sempre acreditamos que o melhor pode acontecer. Bem, poder até pode. Mas as coisas são do jeito que são e não do jeito que nós esperamos.
As pessoas são baús com fundos falsos. Quando você acha que conhece, que não tem mais como a gente se surpreender, não tem pra onde deixar escapar, vem uma decepção. Rasteira da vida. É como se o menino Deus falasse lá de cima "mais uma pra você lembrar quem é que manda". As decepções da vida sempre me deixam em estado de descrença da humanidade. E ainda tem sempre aquele que fala "mas quando a gente sofre, a gente cresce". Será? Não acredito que isso seja crescer ou amadurecer, ao contrário. Acho que pessoas que muito sofrem acabam regridindo, se isolando e até deixando de sentir. E quem não sente nada, não evoluiu.
E lá vamos nós em mais uma aventura da vida. Mais uma vez acreditamos "comigo pode ser diferente". Não foi. E vamos fazer o quê? Escrever 'burros' em nossas testas, só porque acreditamos que poderíamos ser felizes, que dessa vez o destino poderia ajudar um pouquinho e que as pessoas não mentiriam? Que falsidade não ia ter vez, que as palavras bonitas, como poemas, seriam de alma e coração. Não foram. Mais uma vez, não foram.
O estado pós decepção é horrível. A gente não tem vontade de nada, de ver ninguém, de ser ninguém. A gente só pensa que nunca mais vai crer, nunca mais vai achar que vai dar certo de novo. Mas vai, vai sim. E, de novo, algum dia desses, a gente vai achar que vai ser diferente. E, de novo, a gente vai achar que daquela vez, é A vez. Tentar. É assim que nós fazemos, é o que temos pra fazer. Tentar. Respirem fundo. Um, dois, três... Recomece.
É isso que fazemos o tempo inteiro. Por mais que o mundo avise, que os indícios sejam evidentes, que o seu sexto sentido alarde. Nós sempre acreditamos que o melhor pode acontecer. Bem, poder até pode. Mas as coisas são do jeito que são e não do jeito que nós esperamos.
As pessoas são baús com fundos falsos. Quando você acha que conhece, que não tem mais como a gente se surpreender, não tem pra onde deixar escapar, vem uma decepção. Rasteira da vida. É como se o menino Deus falasse lá de cima "mais uma pra você lembrar quem é que manda". As decepções da vida sempre me deixam em estado de descrença da humanidade. E ainda tem sempre aquele que fala "mas quando a gente sofre, a gente cresce". Será? Não acredito que isso seja crescer ou amadurecer, ao contrário. Acho que pessoas que muito sofrem acabam regridindo, se isolando e até deixando de sentir. E quem não sente nada, não evoluiu.
E lá vamos nós em mais uma aventura da vida. Mais uma vez acreditamos "comigo pode ser diferente". Não foi. E vamos fazer o quê? Escrever 'burros' em nossas testas, só porque acreditamos que poderíamos ser felizes, que dessa vez o destino poderia ajudar um pouquinho e que as pessoas não mentiriam? Que falsidade não ia ter vez, que as palavras bonitas, como poemas, seriam de alma e coração. Não foram. Mais uma vez, não foram.
O estado pós decepção é horrível. A gente não tem vontade de nada, de ver ninguém, de ser ninguém. A gente só pensa que nunca mais vai crer, nunca mais vai achar que vai dar certo de novo. Mas vai, vai sim. E, de novo, algum dia desses, a gente vai achar que vai ser diferente. E, de novo, a gente vai achar que daquela vez, é A vez. Tentar. É assim que nós fazemos, é o que temos pra fazer. Tentar. Respirem fundo. Um, dois, três... Recomece.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
aos 15.
Olá, princesinha.
Como vai você? Há tempos não tenho notícias suas. Bem, é verdade que com toda essa correria eu não tenho lhe procurado muito. Mas, eu me lembro de você todos os dias.
Seus sonhos, eu estou tentando realizar. Muitos imprevistos. Você não tem ideia de como é fácil ter quinze anos. Se tornar adulto é mais difícil do que você pensa, mas você é muito nova para entender e continua querendo mais e mais a maturidade. Boba.
Preciso que você seja forte. Vai passar por muitas, muitas coisas ainda. Um belo dia você vai pensar que está tudo bem e não vai estar. O primeiro problema chegará cedo e você não vai saber como resolver. Vai ser a sua primeira desilusão, minha linda. Quando você vai chorar um choro sem solução.
Essa vai ser uma das fases mais importantes da sua vida, muitas pessoas vão estar ao seu lado, cuidar de você e vai ser nessa época que você vai se dar conta do que é o amor.
Alguns meses depois você vai ter o seu primeiro flerte verdadeiro. Se eu pudesse te aconselhar a tempo talvez dissesse pra você não ir tão fundo nesse lance. Pode ser que não dê em nada, sabe? Na verdade não vai dar. Mas eu sei que nem que você me ouvisse você iria acreditar.
Vai passar uns perrengues também! O dinheiro vai ficar curto, sua mãe vai ficar meio desesperada e você vai sentir o peso da maturidade chegar - quando os adultos não te poupam mais dos problemas e começam a dividir com você.
Vai sentir a dor de três mortes. Três pessoas e um coração sangrando. Essa dor você ainda nem tem noção de como vai ser grande. Mas com o passar do tempo você vai aprender a usar entorpecentes.
Vai namorar um dos seus melhores amigos. Acredite, você vai querer casar com ele um dia.
E o mais engraçado de tudo é que você vai aprender a gostar de cerveja, que hoje você tanto odeia. Sim, você vai ficar bêbada um dia.
Eu sinto saudade dos seus sonhos, da sua crença nos outros. Você não duvidava de ninguém e eu agora duvido de todo mundo. Sinto falta também da sua simplicidade, bastava pouco para ser feliz, né?
Você vai saber a emoção de receber um primeiro salário.
Ah, essas amigas que você tem agora, pois bem, são elas mesmas que vão ficar, viu? Então, se puder, não as troque por aquelas que não vão dar em nada. Ai, se você pudesse me ouvir!
Não coma tanta besteira, não tome tanto refrigerante. Você devia ter cuidado melhor de você.
Olha, princesa, hoje não somos mais uma princesa. Nós crescemos e sinto falta de você. Algo seu eu deixei lá trás. Sou feliz, não se preocupa. Mas é de um jeito diferente do quando você tinha 15 anos, eu tinha 15 anos. A felicidade se adapta. É triste, mas é bom.
Por hora, estamos bem. Saudades de algumas pessoas, felizes por conhecermos outras. E quando eu estou muito, mas muito tensa, eu tento lembrar de você e pensar no que você faria.
Como vai você? Há tempos não tenho notícias suas. Bem, é verdade que com toda essa correria eu não tenho lhe procurado muito. Mas, eu me lembro de você todos os dias.
Seus sonhos, eu estou tentando realizar. Muitos imprevistos. Você não tem ideia de como é fácil ter quinze anos. Se tornar adulto é mais difícil do que você pensa, mas você é muito nova para entender e continua querendo mais e mais a maturidade. Boba.
Preciso que você seja forte. Vai passar por muitas, muitas coisas ainda. Um belo dia você vai pensar que está tudo bem e não vai estar. O primeiro problema chegará cedo e você não vai saber como resolver. Vai ser a sua primeira desilusão, minha linda. Quando você vai chorar um choro sem solução.
Essa vai ser uma das fases mais importantes da sua vida, muitas pessoas vão estar ao seu lado, cuidar de você e vai ser nessa época que você vai se dar conta do que é o amor.
Alguns meses depois você vai ter o seu primeiro flerte verdadeiro. Se eu pudesse te aconselhar a tempo talvez dissesse pra você não ir tão fundo nesse lance. Pode ser que não dê em nada, sabe? Na verdade não vai dar. Mas eu sei que nem que você me ouvisse você iria acreditar.
Vai passar uns perrengues também! O dinheiro vai ficar curto, sua mãe vai ficar meio desesperada e você vai sentir o peso da maturidade chegar - quando os adultos não te poupam mais dos problemas e começam a dividir com você.
Vai sentir a dor de três mortes. Três pessoas e um coração sangrando. Essa dor você ainda nem tem noção de como vai ser grande. Mas com o passar do tempo você vai aprender a usar entorpecentes.
Vai namorar um dos seus melhores amigos. Acredite, você vai querer casar com ele um dia.
E o mais engraçado de tudo é que você vai aprender a gostar de cerveja, que hoje você tanto odeia. Sim, você vai ficar bêbada um dia.
Eu sinto saudade dos seus sonhos, da sua crença nos outros. Você não duvidava de ninguém e eu agora duvido de todo mundo. Sinto falta também da sua simplicidade, bastava pouco para ser feliz, né?
Você vai saber a emoção de receber um primeiro salário.
Ah, essas amigas que você tem agora, pois bem, são elas mesmas que vão ficar, viu? Então, se puder, não as troque por aquelas que não vão dar em nada. Ai, se você pudesse me ouvir!
Não coma tanta besteira, não tome tanto refrigerante. Você devia ter cuidado melhor de você.
Olha, princesa, hoje não somos mais uma princesa. Nós crescemos e sinto falta de você. Algo seu eu deixei lá trás. Sou feliz, não se preocupa. Mas é de um jeito diferente do quando você tinha 15 anos, eu tinha 15 anos. A felicidade se adapta. É triste, mas é bom.
Por hora, estamos bem. Saudades de algumas pessoas, felizes por conhecermos outras. E quando eu estou muito, mas muito tensa, eu tento lembrar de você e pensar no que você faria.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Um ano e oito meses. Pode parecer pouco, mas durante esse período eu mudei, você mudou e o mundo também se transformou. É sério, sabia?
O Obama ganhou o prêmio Nobel. A Hora do Planeta fez 37 países do mundo inteiro apagarem as luzes, protestando contra o aquecimento global. Adriano, jogador de futebol, deu um tempo do esporte. A grpe suína se alastrou e todo mundo começou a andar com álcool em gel na bolsa. Eu fiquei loira. Saramago morreu. Suzana Vieira pagou peitinho. Avatar foi o filme mais assistido da história. José Padilha lançou Tropa de Elite2. A Echo Lemonade virou Foxy Trio. Faustão ficou magro. Você tirou o aparelho. Eu voltei a ser morena. O Brasil elegeu uma mulher para ser Presidente. Mark Zuckerberg é um dos homens mais ricos do mundo. Você assiste Rush no Rio de Janeiro. Os Los Hermanos fazem turnê de despedida, entre as cidades, Recife. A gente começa a trabalhar. O mundo deu 612 voltas. 14688 horas se passaram.
Acho clichê dizer que eu amo mais você a cada dia. Talvez eu já ame você com todo o meu coração há muito tempo. O que muda, sem dúvidas, a cada dia é mais amor que eu sinto pela gente. Sinto amor por você, pelo que a gente vive, pelo que a gente vai viver. E quando eu fecho os olhos e posso ter a certeza que você me ama, a felicidade toma conta de mim. Vou te amar todos os dias. Vou te amar por mais mil dias. Vou te amar, te amar, te amar. Te amo. Feliz um ano e oito meses de amor. Feliz vida, minha vida. Feliz amor, meu amor.
O Obama ganhou o prêmio Nobel. A Hora do Planeta fez 37 países do mundo inteiro apagarem as luzes, protestando contra o aquecimento global. Adriano, jogador de futebol, deu um tempo do esporte. A grpe suína se alastrou e todo mundo começou a andar com álcool em gel na bolsa. Eu fiquei loira. Saramago morreu. Suzana Vieira pagou peitinho. Avatar foi o filme mais assistido da história. José Padilha lançou Tropa de Elite2. A Echo Lemonade virou Foxy Trio. Faustão ficou magro. Você tirou o aparelho. Eu voltei a ser morena. O Brasil elegeu uma mulher para ser Presidente. Mark Zuckerberg é um dos homens mais ricos do mundo. Você assiste Rush no Rio de Janeiro. Os Los Hermanos fazem turnê de despedida, entre as cidades, Recife. A gente começa a trabalhar. O mundo deu 612 voltas. 14688 horas se passaram.Acho clichê dizer que eu amo mais você a cada dia. Talvez eu já ame você com todo o meu coração há muito tempo. O que muda, sem dúvidas, a cada dia é mais amor que eu sinto pela gente. Sinto amor por você, pelo que a gente vive, pelo que a gente vai viver. E quando eu fecho os olhos e posso ter a certeza que você me ama, a felicidade toma conta de mim. Vou te amar todos os dias. Vou te amar por mais mil dias. Vou te amar, te amar, te amar. Te amo. Feliz um ano e oito meses de amor. Feliz vida, minha vida. Feliz amor, meu amor.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
dezesseis de julho de dois mil e dez
Gosto de questionar sobre a vida, sobre o amor. Principalmente quando se trata do amor e da vida dos outros. Quem me conhece, sabe. Vivo fazendo suposições, inventando roteiros para as vidas alheias. Acho que me falta pé no chão de vez em quando. Talvez seja por isso que eu amo tanto ele. Enquanto eu fico supondo, ele vive. Eu me importo com os outros tento arranjar a vida da humanidade. Ele tenta arranjar a nós. Afinal, minha cabeça é tão nas nuvens que precisava de alguém para cuidar de mim, da minha própria vida. Ele cuida.
A coisa que eu mais amo em sua companhia é o fato de ser o meu melhor amigo. As vezes o único. Ele me entende, me confessa coisas, me faz confessar outras tantas. E depois de dezoito anos, não me sinto mais sozinha. Aquela sensação de estar solitário no meio da multidão não chega mais perto. Ele sempre está comigo, até quando não está.
Para os que já estão com vontade de vomitar até aqui, melhor fechar a janela ou procurar outra coisa para ler. Daqui para frente ficarei ainda mais melosa, romântica e irritante. E como não ser?
Ele olha para mim como quem busca acompanhar o meu tempo e espaço, percebo claramente que faz questão de tentar entender o meu mundo, pois agora também é o mundo dele. E quando me abraça, me sinto segura. É tudo clichê, eu sei. Mas é um clichê sincero. E, por Deus, eu nunca saberia o que era amar se não estivesse passando por todo esse momento óbvio, que todos querem passar um dia. Eu estou apaixonada.
No dia dezesseis de julho de dois mil e dez fez exatos doze meses que estamos juntos. Um ano de tanta coisa. São lembranças que só me fazem amar mais. Mais, bem mais. E, como chegamos a esta conclusão outro dia, não tem mais jeito. Agora é isso e pronto.
A coisa que eu mais amo em sua companhia é o fato de ser o meu melhor amigo. As vezes o único. Ele me entende, me confessa coisas, me faz confessar outras tantas. E depois de dezoito anos, não me sinto mais sozinha. Aquela sensação de estar solitário no meio da multidão não chega mais perto. Ele sempre está comigo, até quando não está.
Para os que já estão com vontade de vomitar até aqui, melhor fechar a janela ou procurar outra coisa para ler. Daqui para frente ficarei ainda mais melosa, romântica e irritante. E como não ser?
Ele olha para mim como quem busca acompanhar o meu tempo e espaço, percebo claramente que faz questão de tentar entender o meu mundo, pois agora também é o mundo dele. E quando me abraça, me sinto segura. É tudo clichê, eu sei. Mas é um clichê sincero. E, por Deus, eu nunca saberia o que era amar se não estivesse passando por todo esse momento óbvio, que todos querem passar um dia. Eu estou apaixonada.
No dia dezesseis de julho de dois mil e dez fez exatos doze meses que estamos juntos. Um ano de tanta coisa. São lembranças que só me fazem amar mais. Mais, bem mais. E, como chegamos a esta conclusão outro dia, não tem mais jeito. Agora é isso e pronto.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
disfunção
O que foi mesmo que me disseram? Ah, sei. Que eu iria me acostumar, que com o tempo o meu coração não iria mais acelerar ao te ver chegar. Que a rotina ia me possuir, que eu iria me cansar do jeito carinhoso de chamar, que as frescurites de paixonite aguda iriam acabando-se, pouco a pouco. Pois bem, comigo foi diferente. As possibilidades de eu não ter seguido a regra são muitas. Posso ter uma disfunção no cérebro, um retardo emocional, posso realmente te amar demais ou simplesmente ser rebelde e jogar o jogo de outra forma. Mas a verdade, a verdade mesmo, é que durante todo esse tempo, não consegui diminuir nada - nada mesmo - do que eu sinto por você. Ainda olho o celular a cada cinco minutos, com a esperança de receber uma mensagem, quem sabe uma chamada perdida. Recados na página pessoal dos sites de relacionamento, e-mails, pergunto ao meu porteiro se tem algum recado. Tudo com a esperança de preencher meu dia a dia com tuas coisas, tuas palavras, tua presença. Quando você aponta pela janela, deus!, fico a ponto de passar mal de nervosa. As mãos ficam geladinhas, o coração fica mais rápido do que uma bateria. E então, quando você chega, posso sentir seu corpo quente, seu olhar sincero. Você me traz paz, você me traz amor.
O que mais gosto em você são os seus hábitos estranhos e sem sentido. Ah, como eu gosto! Só você tem as mãos inquietas, prestes , sempre, a mexer ou até quebrar alguma coisa. Eu amo você porque você é assim, certinho, leva tudo ao pé da letra. Eu amo você porque você lê todos os manuais de instruções, até o do macarrão instantâneo. E quando alguém surta de nervosismo ao seu lado, você fala 'se acalme', com voz forte e imperativa, pois você é a única pessoa que acredita que isso pode funcionar. E isso, isso é lindo.
Quando rimos das desgraças, quando você cozinha para mim, quando eu te peço com aquela voz manda para lavar os pratos no meu lugar e você força um sorriso, odiando aquilo, mas vai lavar. Quando tentamos imaginar as vidas alheias ou quando temos a certeza que nenhuma vida é melhor que a nossa. Em todos esses momentos, eu amo você. E é tanto amor que mal consigo respirar. É tanta emoção, tanto coração, tanta verdade, tanto, tanto, tanto tudo... Eu, você, o nós, o nó. E a minha vida segue e eu quero mais. Acho que estou doente, meu querido. Eu estou amando e , mais do que nunca, é de verdade.
O que mais gosto em você são os seus hábitos estranhos e sem sentido. Ah, como eu gosto! Só você tem as mãos inquietas, prestes , sempre, a mexer ou até quebrar alguma coisa. Eu amo você porque você é assim, certinho, leva tudo ao pé da letra. Eu amo você porque você lê todos os manuais de instruções, até o do macarrão instantâneo. E quando alguém surta de nervosismo ao seu lado, você fala 'se acalme', com voz forte e imperativa, pois você é a única pessoa que acredita que isso pode funcionar. E isso, isso é lindo.
Quando rimos das desgraças, quando você cozinha para mim, quando eu te peço com aquela voz manda para lavar os pratos no meu lugar e você força um sorriso, odiando aquilo, mas vai lavar. Quando tentamos imaginar as vidas alheias ou quando temos a certeza que nenhuma vida é melhor que a nossa. Em todos esses momentos, eu amo você. E é tanto amor que mal consigo respirar. É tanta emoção, tanto coração, tanta verdade, tanto, tanto, tanto tudo... Eu, você, o nós, o nó. E a minha vida segue e eu quero mais. Acho que estou doente, meu querido. Eu estou amando e , mais do que nunca, é de verdade.
domingo, 20 de junho de 2010
vinte de junho
"Conheço você de algum lugar" "Conhece?" - ele desdenhou. Ela apenas sorriu, o que fez ele também pensar que a conhecia, lembrou daquele sorriso. Pensou alto, "De onde?", ela conseguiu ouvir, mas nada disse. Estendeu sua mão, ele segurou. Chegou ao topo da montanha, sem perceber que tinha escalado tanto. Ela disse "Pode deitar aqui", oferecendo seu colo. Ele achou estranho não achar estranho deitar no colo de uma mulher que ele não conhecia. Ela afagou seus cabelos e disse o quanto era doce o seu olhar. Onde ele estava? Quem era aquela mulher que, apesar de tão familiar, ele jamais tinha visto antes? Dormiu em seu colo.
O sol nasceu, fez com que os machucados dele ganhassem melhora. Ela fazia curativos uma vez na semana. Ele questionou ''Que tal fazer curativos todos os dias? Alivia tanto a dor!" Ela olhou firme nos olhos dele, "Você não pode se acostumar e eu não posso te trazer apenas boas sensações". O tempo passou de maneira veloz, ele acostumou-se com o corpo dela e o cheiro doce que possuía.
Foi em uma tarde chuvosa que um anjo apareceu. Ela tinha saído, foi procurar coisas bonitas para enfeitar a cabana, queria agradá-lo naquela noite. O anjo vestia uma capa preta, o que fez ele pensar que poderiam ser notícias ruins. "Hoje você vai embora. Já está curado e uma hora ou outra isso vai acontecer. Antecipa o sofrimento dela, é o melhor a fazer". Ele não soube explicar o que o fez seguir o anjo, afinal, ele adorava viver daquela forma. Porém, foi embora sem deixar vestígios. Desceu ao concreto, voltou a sentir dor, as feridas se abriram novamente.
Então em um dia, sentado em sua escada, ele sentiu um cheiro familiar. Fechou os olhos, sentiu os lábios dela tocarem os seus. Confuso, apenas ouviu a voz dela embalar seus ouvidos "Estarei sempre aqui, serei seu ponto de fuga e equilíbrio. Te ouvir, te fazer sorrir e te amar é o que eu devo fazer''. E agora ele sabia que ainda existiriam vezes em que se sentiria vivo.
O sol nasceu, fez com que os machucados dele ganhassem melhora. Ela fazia curativos uma vez na semana. Ele questionou ''Que tal fazer curativos todos os dias? Alivia tanto a dor!" Ela olhou firme nos olhos dele, "Você não pode se acostumar e eu não posso te trazer apenas boas sensações". O tempo passou de maneira veloz, ele acostumou-se com o corpo dela e o cheiro doce que possuía.
Foi em uma tarde chuvosa que um anjo apareceu. Ela tinha saído, foi procurar coisas bonitas para enfeitar a cabana, queria agradá-lo naquela noite. O anjo vestia uma capa preta, o que fez ele pensar que poderiam ser notícias ruins. "Hoje você vai embora. Já está curado e uma hora ou outra isso vai acontecer. Antecipa o sofrimento dela, é o melhor a fazer". Ele não soube explicar o que o fez seguir o anjo, afinal, ele adorava viver daquela forma. Porém, foi embora sem deixar vestígios. Desceu ao concreto, voltou a sentir dor, as feridas se abriram novamente.
Então em um dia, sentado em sua escada, ele sentiu um cheiro familiar. Fechou os olhos, sentiu os lábios dela tocarem os seus. Confuso, apenas ouviu a voz dela embalar seus ouvidos "Estarei sempre aqui, serei seu ponto de fuga e equilíbrio. Te ouvir, te fazer sorrir e te amar é o que eu devo fazer''. E agora ele sabia que ainda existiriam vezes em que se sentiria vivo.
terça-feira, 1 de junho de 2010
'quero que você me aqueça neste inverno'
Sempre volto de carona com a mesma colega da faculdade. Ela me deixa sempre no mesmo lugar e eu já sei até decorado a quantidade de passos que preciso dar para chegar até o portão de casa. Bem, essa explicação toda, é só para contar que hoje, após descer do carro da minha amiga e ir a caminho do portão da minha casa, eu ouvi uma voz. Juro que na hora pensei "minha nossa, to ouvindo uma voz e ela gosta de Roberto Carlos" foi quando eu olhei pra trás e tinha um sujeito, um mendigo, todo cheio de tralhas, com um cachorro no braço e cantando o mais alto que podia "Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vai pro inferno". Ele cantava olhando para o cachorro e aumentava a voz na parte do 'inferno'. Comecei a pensar que aquele cachorrinho devia, realmente aquecer aquele homem.
Todos nós queremos ser aquecidos. É verdade que a tal da solitude é algo bom. Nossa, é algo ótimo. Mas a comapanhia do outro é e sempre será uma das coisas mais prazerosas da vida. Nenhum de nós quer morrer só. E mais, o assunto, esse assunto, é sempre alvo de sucesso. Hoje, por exemplo, uma amiga minha chegou contando que foi assaltada, jogaram ela no chão, levaram alguns objetos... depois ela contou que levou um pé na bunda do namorando. Quanto ao assalto, não houve especulação, mas ela teve que responder boas perguntas em relação ao pé na bunda... Estamos sempre interessados no amor. Por mais clichê que isso possa parecer. Todos queremos com quem contar, quem ver, quem brigar. E é disso que sentimos falta quando não temos e agradecemos quando encontramos. Você não quer ser só.
'Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vá pro inferno...' é o hino de todos nós.
Todos nós queremos ser aquecidos. É verdade que a tal da solitude é algo bom. Nossa, é algo ótimo. Mas a comapanhia do outro é e sempre será uma das coisas mais prazerosas da vida. Nenhum de nós quer morrer só. E mais, o assunto, esse assunto, é sempre alvo de sucesso. Hoje, por exemplo, uma amiga minha chegou contando que foi assaltada, jogaram ela no chão, levaram alguns objetos... depois ela contou que levou um pé na bunda do namorando. Quanto ao assalto, não houve especulação, mas ela teve que responder boas perguntas em relação ao pé na bunda... Estamos sempre interessados no amor. Por mais clichê que isso possa parecer. Todos queremos com quem contar, quem ver, quem brigar. E é disso que sentimos falta quando não temos e agradecemos quando encontramos. Você não quer ser só.
'Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vá pro inferno...' é o hino de todos nós.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
pode sempre piorar.
Foi quando ela olhou nos olhos dele, desesperada. Do rosto dela gritavam expressões, frases desesperadas. Ele, pleno, a olhava com ternura. A face dele parecia um pouco distante, ela chegou a duvidar se era ele, realmente. Ele pegou sua mão. Ela chorava, chorava, chorava. Ele disse 'vai ficar tudo bem'. E ela sentiu os problemas pesarem ainda mais em suas costas. Monstros não a deixavam dormir, todo aquele peso, toda aquela angústia. E, até ela, que nunca perdia o sorriso, se rendeu às lágrimas infinitas. Queria abraçá-lo, mas não podia. Queria que qualquer coisa boa acontecesse, só para poder acreditar que coisas boas ainda acontecessem, só para não perder a esperança. Esperança? Que esperança? Não era mais esperança, era senso de justiça. Se já tinha tanta coisa ruim acontecendo, não acreditava que coisas piores estavam por vir. Estavam? Ela repetia, silenciosamente, para si mesma "VAI PASSAR". E da última vez que pensou isso, pensou tão alto que ele chegou a escutar. Voltou até o plano dela, deu um beijo em sua testa, desejou boa noite. Ela, com raiva, disse se sentir sozinha e não o perdoar por não estar mais ali. Ele sorriu. Ela tentou interpretar aquele sorriso como um anúncio de quem sabia mais do que ela. E quando o sol raiou ela teve que enfrentar o mundo, mesmo com tantas facadas em seu peito.
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