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domingo, 16 de maio de 2010

Resenha - Robin Hood

As lembranças que eu tinha na mente da lenda de Robin Hood eram de um cara com um chapéu verde, que roubava dos ricos para ajudar os pobres. Mas também me lembro que nunca consegui gostar desse carinha como se gosta de um herói. Talvez, pelo senso crítico de uma criança, que aponta 'roubar é errado' e a imaturidade da compreensão das exceções e não exceções.
Ontem assisti o Robin Hood na versão 2010. Ao entrar na sala percebi que o público infantil ou juvenil não exisita. Só adultos, sérios e com uma expressão de ansiedade no rosto. Estavam todos, como eu, curiosos para saber como fariam para transformar aquele herói meio termo que não conseguimos gostar na época de criança, em um grande herói na telona.
A primeira coisa que me impressionou foi Russell Crowe. Gosto do seu trabalho, mas gostei ainda mais depois de ver o quanto ele encarou o personagem. Mas Crowe não é um ator apropriado para mocinhos de cinema. Ele é rude. Percebi que não teríamos um herói manso nem idiota. Ganharíamos um cara brilhante, mas não mais do que um ser humano.
O filme conta com um elenco de peso. Também há espaço para todos os personagens, conseguimos conhecer o perfil de cada um. E então, temos um Robin Hood que troca a flecha por uma espada. Bingo para o diretor! A flecha entra nos momentos decisivos do filme, fazendo a gente lembrar que não se trata de Tróia, Gladiador ou Cruzada. O filme ainda é dele, do nosso pseudo mocinho.
Fala de amor entre pai e filho, homem e mulher, rei e sociedade, sociedade e sua cidade. Trata da raça pura do ser humano. Da grandeza e coragem de uma mulher, da verdadeira humanização de um padre.
Ainda aponto para a trilha sonora e a fotografia. Tudo maquiavélicamente planejado para nossa redenção. Ridley Scott , mais uma vez, me fez virar fã de seus filmes, como aconteceu com 'Rede de Mentiras', 'Hannibal' e 'O Gângster'. O cara é realmente bom, meus amigos.

Robin Hood me surpreendeu e, bem no começo da minha idade adulta, ele para mim virou herói.

Por: Maria Eduarda Ferraz

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Filme 'Soul Kitchen' - Resenha

SOUL KITCHEN - ALEMANHA, 2009. DIRETOR: FATIH AKIN, COM : MORITZ BLEIBTREU, BIROL üNEL)

Primeiro gostaria de falar especialmente do protagonista Zinos. Zinos é um cara baixinho, um tanto quanto gordinho, que tem uma maré ruim em sua vida. E essa maré, meus amigos, dura o tempo necessário para que a vida dele mude completamente, na pior intensidade que vocês conseguirem imaginar.
Sua namorada vai morar em Shanghai, seu restaurante anda sem movimento e a tendência é que chegue a falir. Um novo chef de cozinha é contratado e os clientes rejeitam a nova comida. Zinos descobre que está com um sério problema na coluna e ainda tem que administrar as novidades do seu irmão que está preso e acaba de conseguir o regime semi-aberto.
Ufa! Até fiquei cansada de falar toda essa rotina desse pergonagem. A verdade é que Soul Kitchen, apesar de ter seu cenário principal como a verdadeira derrota, fala da grande vitória de nossas vidas. Superar cada obstáculo, sempre ver uma nova tentativa, acreditar no futuro e em seu potencial. Isso ocorre na vida de Zinos, na minha vida, na vida de vocês. E é por isso que Soul Kitchen, apesar do cenário Alemão, chega tão perto de nossas vidas. Conhecer e descobrir verdadeiros amigos, decepcionar e curar o coração, começar do zero e enxergar nisso uma nova chance para o acerto.
A riqueza dos personagens é peculiar. Há o restaurador de barcos, que é inquilino de Zinos e, apesar da vontade de parecer distante, é o maior fã daquele restaurante. Os garçons são o exemplo de fidelidade, lutando sempre por aquele patrimônio, pelo emprego e pelo amigo. A agente do governo é o retrato de que, todos nós, somos um pouco de tudo nessa vida. Sem dúvidas há um grande recheio de seres incríveis.
Na verdade Fatih Akin (diretor) tem o dom de prender nossos olhos na tela. Isso ocorre ainda mais nas empolgantes cenas de dança, onde todos no restaurante curtem o som do DJ amador. Também há diálogos ricos, com as reais emoções do ser humano.
Zinos e seus amigos são personagens muito mais próximos das pessoas de carne e osso do que vocês podem imaginar. Não há mocinhos, nem vilões nessa história. O que acontece é o retrato da vida- seja o foco a dureza ou a fé na melhoria.
Vale a pena conferir!

Por: Maria Eduarda Ferraz