quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Olho para você dormindo. Calmo, sereno, lindo. Parece um anjo. De repente, minha memória percorre toda a nossa história e eu me lembro da primeira vez que nos beijamos. A noite quente, abafada. com um blues tocando ao fundo e você se rendendo a ser meu. É assim que me lembro e é assim que sempre vou lembrar. O blues continua tocando na ninha cabeça e me lembro de tantos outros momentos. Como nos primeiros dias em que te vi acordar. As cenas aparecem como flashs na minha cabeça, parecem fotos de dias que não foram meus. Mas foram. Todos os dias que passamos foram nossos, só nossos. Signos e símbolos moldam o meu armário de lembranças. Sorvetes, flores, CDs, filmes, alianças. São partículas vagas de um amor sólido. é sólido, é vasto. Não consigo demonstrar o quanto. Queria te dizer tudo isso quando você acordasse, mas quando olho nos teus olhos as palavras me faltam e só penso em te beijar. Estarei te olhando dormir. Até você acordar e sorrir. Te amo.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Alô.
O telefone chamava uma, duas, três, quarenta vezes. Só pode estar fora do gancho. Ele respira fundo, conta até três. Imagina a imagem dela sorrindo, conversando com outros homens. Ela estava nem aí. Ele é que era um idiota, perdia o sábado à noite para tentar ligar, se lamentar. E se ela atendesse, o que diria? Não sabia. Ele apena queria ouvir sua voz, seu sussurro, seu tom. Mas o telefone só dava aquele velho sinal de não atende. Na sala, a TV processava imagens coloridas de algum programa imbecil. O rádio, seu querido instrumento vintage no meio da sala, anunciava a sessão romântica dos sábados. E ele ali, com aquele copo nas mãos, o álbum de foto deles no colo e o telefone chamando, chamando. Sem resposta. Aliás, como tudo estava sendo. Ela tinha ido embora sem resposta, não atendia o telefone, não estava em casa quando ele ia até lá. E se tivesse acontecido alguma coisa com ela? Não tinha. Acontece que ele era bobo demais para perceber que a resposta estava tão simples. Bastava se olhar no espelho e perceber que não era mais aquele por quem um dia ela se apaixonou. Na verdade nem ela era a mesma. Mas ele era obcecado, alucinado por ela. O telefone chamava, chamava. E quando a garrafa de uisque já estava quase vazia, uma voz atendeu. Um homem atendeu. Um homem na casa de Clara. Era impossível. Desligou, rediscou, a voz maculina voltou a atender. Ele, confuso, achou melhor dormir. Tinha fé que no outro dia o telefone iria voltar a chamar sem parar.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Laura, Heitor e Eduardo.
Laura era uma linda mulher. Já madura, ainda tinha olhos de esperança, que poucos da juventude conseguiam ter. Com tantos amores em seu, peito, parecia que não caberia nunca mais lugar para mais alguém. Foi quando de repente, junto à correria da vida, lhe apareceu Heitor. Heitor, homem inteligentíssimo, um pouco exibido, talvez, mas muito agradável. Ela deixou então Heitor tentar um lugar em sua mente e coração, por mais difícil que parecesse ser. Ele a cortejou com presentes, carinhos e noites divertidas. Embarcou mesmo, se podemos tirar uma conclusão de toda essa história, é que medroso ele não era. E tudo parecia sublime, ele a convidava a rodar e rodar em seu salão. Mas nessa vida, nada é estável. Foi quando Eduardo retornou de um lugar chamado 'Coração Adormecido'. Bastou uma ligação, o coração de Laura disparou de novo. Eduardo era seu mais recente ex-amor. Apesar de faixa etária parecida e afinidades visíveis, ele e Laura eram extremos. Ela era óleo, ele água. Enquanto ela gostava de cidade, mundo, carros e cheiro de fumaça, ele se reservava ao lugar mais distante da cidade. E quando se encontravam, caíam nos debates sobre a vida. Era difícil. Não entendiam que para ser um, é preciso ser dois e o modo de vida de cada um deve ser respeitado. Há pouco se separaram e desde então, nenhuma notícia. Foi quando Laura o reencontrou e sentiu o frio na barriga que estava com saudades de sentir. Com Heitor o frio não existia. Era só mais um amigo, no fundo ela até que admitia. Mas Eduardo balançava sua alma, fazia sua mente fixar nas lembranças e, enfim, ter um levanto de estima por si mesma. Não teve dúvidas. Viveu os momentos a mais que o destino lhe concedia com Eduardo, mas não abriu mão de Heitor. Para quê? Estava feliz daquela forma, era o momento mais feliz dos últimos meses. A consciência nem pesava, pois quando se é feliz não há falso moralismo que vença. E assim continuava a vida de Laura, os dias eram com Heitor e as noites eram pensando em Eduardo. Quanto tempo iria durar ela não sabia, mas esperava que aquela energia e coragem pra vida durassem por um longo instante.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Luzes fluorescentes.
Ela olha a cidade lá fora, vê as luzes acesas. O natal está para chegar. Ouve uma música nova, mas a melodia parece extremamente familiar. Momentos começam a passar à sua frente, quase se vê nas cenas, como nos filmes, que as pessoas enxergam as lembranças como se não estivessem presentes. Uma alegria inexplicável aponta em seus lábios e ela sorri. Há quanto não sentia aquilo? A ansiedade pelo novo, a vontade de viver outra era. Tem tido tempos difíceis. O pior, é que ninguém sabe o que passa na cabeça dela. Ela ri, de ironia. Quem é ela? Ela guarda a resposta apenas para si. Está com vontade de dançar, de chorar de felicidade. Está com vontade de abraçar as pessoas que ama, as pessoas que lhe são importantes. Ela sempre gostou da nostalgia, nunca viu problema em sentir saudade. E mesmo sabendo que sempre falta alguma coisa, de fato, ela se sentia completa naquele momento. Deixava os maus espíritos levarem os sentimentos péssimos. Respirava nova fase, novos ares. A vida não era tão ruim. Voltou a janela, viu as luzes de natal novamente. Branca, azul, vermelha... O arco íris fluorescente tocou seu coração. Era tempo de ser feliz.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
Saramago.
Eu te amo. Eu sempre te amei, desde o primeiro dia. Meu amor se transformou comigo, deixou de ser um amor que sonha. Passou a ser um amor que apenas sente. Entre tantas pessoas, você sabe o quanto foi e sempre será importante. As vezes olho as estrelas e me pergunto onde você está nesse momento, o que será que anda fazendo, pensando, querendo. Sinto sua falta, mas é de uma maneira diferente. Aprendi com a vida que o que aconteceu era o que tinha de acontecer. Tenho muito medo de esquecer seu rosto. Ai, como eu te amo. E daqui pra frente, meu coração será só saudade. Vou lembrar da tua risada, dos teus fios brancos, do teu jeito de me chamar. Quando um passarinho vem me visitar, penso que é você me olhando. Deve ser. Já dizia o poema: "tem gente que tem cheiro de passarinho". Que meu coração sinta todo esse amor para sempre, que a minha memória não falhe e esqueça do teu rosto e a tua voz. Eu quero sempre poder me lembrar que eu fui, sou e sempre serei o teu amor lindo do céu.
Saramago.
Eu te amo. Eu sempre te amei, desde o primeiro dia. Meu amor se transformou comigo, deixou de ser um amor que sonha. Passou a ser um amor que apenas sente. Entre tantas pessoas, você sabe o quanto foi e sempre será importante. As vezes olho as estrelas e me pergunto onde você está nesse momento, o que será que anda fazendo, pensando, querendo. Sinto sua falta, mas é de uma maneira diferente. Aprendi com a vida que o que aconteceu era o que tinha de acontecer. Tenho muito medo de esquecer seu rosto. Ai, como eu te amo. E daqui pra frente, meu coração será só saudade. Vou lembrar da tua risada, dos teus fios brancos, do teu jeito de me chamar. Quando um passarinho vem me visitar, penso que é você me olhando. Deve ser. Já dizia o poema: "tem gente que tem cheiro de passarinho". Que meu coração sinta todo esse amor para sempre, que a minha memória não falhe e esqueça do teu rosto e a tua voz. Eu quero sempre poder me lembrar que eu fui, sou e sempre serei o teu amor lindo do céu.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
flores amarelas.
Nunca conheci alguém que se paracesse fisicamente comigo. Na verdade, nem meus pais parecem. Dizem que meus pés e mãos são idênticas aos do meu pai. Mas pés e mãos não são coisas muito relevantes para falar. Abri uma pastas de fotos no computador. Nossa, precisava de uma bebida forte para rever tantos momentos e encarar tanta nostalgia. Na falta, bebi o restante da água que já estava na mesinha e comecei a sorrir. Sorri pelos sonhos que eu tinha, pelos amigos, pelos momentos e risadas inesquecíveis. Pelos cortes de cabelo que não deram certo, pelas roupas e acessórios tão ridículos. E foi então que percebi. Eu antes, sou a pessoa mais parecida comimgo agora. Na verdade, a grande descoberta não foi essa. Bem, estou confundindo vocês e a mim. Mas, o que quero dizer é que acho que sou outra pessoa. Sou um clone de mim mesma. Alguém muito parecida com outra que já foi um dia. É claro que há coisas que ainda estão aqui. Amigos, costumes, manias. Mas algo bem mais forte mudou. Frio na barriga. E agora? Será que ainda tenho muito a mudar? Será que algum dia vou estar tão distante de hoje como estou distante daquelas fotos? E meus sonhos? Respiro. Vejo que tantos momentos pareciam decisivos, eternos, importantíssimos e no final das contas foram apenas passageiros. Outros, que também não dei tanto valor, foram os que marcaram. Enfim, acho que preciso começar a falar algo concreto, pois um texto vazio é a pior coisa do mundo. E se alguém ainda está aqui comigo, se você ainda está lendo, calma. Esse texto é sobre flores.
Achei anotações, versos, textos antigos. E eu lembrei que gosto de flores amarelas. É engraçado, porque quando alguém me perguntava qual a minha flor predileta, eu nunca respondia. Eu sabia que tinha uma, mas não me lembrava qual era. Achei. Gosto das amarelas, alegres, grandes e vulgares. Sim, sim, sabe a música de Djavan "no pé que bortou Maria, nem margarida nasceu" ? Ele fala das margaridas como vagabundas por brotarem em qualquer canto. E as margaridas são lindas. Enfim, eu gosto de flores amarelas. Acabei de lembrar.
Foto: Duda Bione, que vocês já conhecem do Expressaideia, né? :) Quem quiser ver mais fotos lindas da minha parceira clica AQUI!
e se delicie com as percepções.
Achei anotações, versos, textos antigos. E eu lembrei que gosto de flores amarelas. É engraçado, porque quando alguém me perguntava qual a minha flor predileta, eu nunca respondia. Eu sabia que tinha uma, mas não me lembrava qual era. Achei. Gosto das amarelas, alegres, grandes e vulgares. Sim, sim, sabe a música de Djavan "no pé que bortou Maria, nem margarida nasceu" ? Ele fala das margaridas como vagabundas por brotarem em qualquer canto. E as margaridas são lindas. Enfim, eu gosto de flores amarelas. Acabei de lembrar.
Foto: Duda Bione, que vocês já conhecem do Expressaideia, né? :) Quem quiser ver mais fotos lindas da minha parceira clica AQUI!
e se delicie com as percepções.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Rotina.
"Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã..."
Sacode às seis horas, respira, toma um café forte. Olha pela janela, o sol quente lá fora, o barulho das pessoas na rua. A vida. Hora de trabalhar. Ela senta em frente ao computador e começa a escrever. Escreve cartas, e-mails e textos para outras pessoas assinarem. O serviço dela é escrever para quem não é hábil ou não tem tempo. Entre as atividades do dia, questões como 'mandar e-mail para a mãe do Sr. Alberto, informando que ele está melhor da gripe'. No fundo, ela gostava. Até por que saber da vida alheia, não era tão ruim assim. Mas, as vezes, ela tinha uma sede de viver a própria vida e tempo não lhe sobrava. Pensava que um dia ia conseguir sair daquele sistema, encontrar algo melhor e mostrar seu talento. Ela queria escrever livros, romances, aventuras. Queria ser mais do que uma secretária íntima-pessoal. À noite, quando acaba o expediente, olha pro céu e lembra, com saudade, do passado. Sorrisos desabrocham no céu da sua boca. Lembra das gargalhadas com as amigas. Que delícia. O olhar fica um pouco mais longe. Ela lembra dele. Seu beijo, sua voz, seu abraço. Onde ele anda agora? Ela olha para o céu e imagina que um dia ainda vão se reencontrar. Dorme. Amanhã tem mais.
Sacode às seis horas, respira, toma um café forte. Olha pela janela, o sol quente lá fora, o barulho das pessoas na rua. A vida. Hora de trabalhar. Ela senta em frente ao computador e começa a escrever. Escreve cartas, e-mails e textos para outras pessoas assinarem. O serviço dela é escrever para quem não é hábil ou não tem tempo. Entre as atividades do dia, questões como 'mandar e-mail para a mãe do Sr. Alberto, informando que ele está melhor da gripe'. No fundo, ela gostava. Até por que saber da vida alheia, não era tão ruim assim. Mas, as vezes, ela tinha uma sede de viver a própria vida e tempo não lhe sobrava. Pensava que um dia ia conseguir sair daquele sistema, encontrar algo melhor e mostrar seu talento. Ela queria escrever livros, romances, aventuras. Queria ser mais do que uma secretária íntima-pessoal. À noite, quando acaba o expediente, olha pro céu e lembra, com saudade, do passado. Sorrisos desabrocham no céu da sua boca. Lembra das gargalhadas com as amigas. Que delícia. O olhar fica um pouco mais longe. Ela lembra dele. Seu beijo, sua voz, seu abraço. Onde ele anda agora? Ela olha para o céu e imagina que um dia ainda vão se reencontrar. Dorme. Amanhã tem mais.
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