sexta-feira, 1 de abril de 2011

aos 15.

Olá, princesinha.

Como vai você? Há tempos não tenho notícias suas. Bem, é verdade que com toda essa correria eu não tenho lhe procurado muito. Mas, eu me lembro de você todos os dias.
Seus sonhos, eu estou tentando realizar. Muitos imprevistos. Você não tem ideia de como é fácil ter quinze anos. Se tornar adulto é mais difícil do que você pensa, mas você é muito nova para entender e continua querendo mais e mais a maturidade. Boba.
Preciso que você seja forte. Vai passar por muitas, muitas coisas ainda. Um belo dia você vai pensar que está tudo bem e não vai estar. O primeiro problema chegará cedo e você não vai saber como resolver. Vai ser a sua primeira desilusão, minha linda. Quando você vai chorar um choro sem solução.
Essa vai ser uma das fases mais importantes da sua vida, muitas pessoas vão estar ao seu lado, cuidar de você e vai ser nessa época que você vai se dar conta do que é o amor.
Alguns meses depois você vai ter o seu primeiro flerte verdadeiro. Se eu pudesse te aconselhar a tempo talvez dissesse pra você não ir tão fundo nesse lance. Pode ser que não dê em nada, sabe? Na verdade não vai dar. Mas eu sei que nem que você me ouvisse você iria acreditar.
Vai passar uns perrengues também! O dinheiro vai ficar curto, sua mãe vai ficar meio desesperada e você vai sentir o peso da maturidade chegar - quando os adultos não te poupam mais dos problemas e começam a dividir com você.
Vai sentir a dor de três mortes. Três pessoas e um coração sangrando. Essa dor você ainda nem tem noção de como vai ser grande. Mas com o passar do tempo você vai aprender a usar entorpecentes.
Vai namorar um dos seus melhores amigos. Acredite, você vai querer casar com ele um dia.
E o mais engraçado de tudo é que você vai aprender a gostar de cerveja, que hoje você tanto odeia. Sim, você vai ficar bêbada um dia.
Eu sinto saudade dos seus sonhos, da sua crença nos outros. Você não duvidava de ninguém e eu agora duvido de todo mundo. Sinto falta também da sua simplicidade, bastava pouco para ser feliz, né?
Você vai saber a emoção de receber um primeiro salário.
Ah, essas amigas que você tem agora, pois bem, são elas mesmas que vão ficar, viu? Então, se puder, não as troque por aquelas que não vão dar em nada. Ai, se você pudesse me ouvir!
Não coma tanta besteira, não tome tanto refrigerante. Você devia ter cuidado melhor de você.
Olha, princesa, hoje não somos mais uma princesa. Nós crescemos e sinto falta de você. Algo seu eu deixei lá trás. Sou feliz, não se preocupa. Mas é de um jeito diferente do quando você tinha 15 anos, eu tinha 15 anos. A felicidade se adapta. É triste, mas é bom.
Por hora, estamos bem. Saudades de algumas pessoas, felizes por conhecermos outras. E quando eu estou muito, mas muito tensa, eu tento lembrar de você e pensar no que você faria.

quarta-feira, 16 de março de 2011

 Um ano e oito meses. Pode parecer pouco, mas durante esse período eu mudei, você mudou e o mundo também se transformou. É sério, sabia?

O Obama ganhou o prêmio Nobel. A Hora do Planeta fez 37 países do mundo inteiro apagarem as luzes, protestando contra o aquecimento global. Adriano, jogador de futebol, deu um tempo do esporte. A grpe suína se alastrou e todo mundo começou a andar com álcool em gel na bolsa. Eu fiquei loira. Saramago morreu. Suzana Vieira pagou peitinho. Avatar foi o filme mais assistido da história. José Padilha lançou Tropa de Elite2. A Echo Lemonade virou Foxy Trio. Faustão ficou magro. Você tirou o aparelho. Eu voltei a ser morena. O Brasil elegeu uma mulher para ser Presidente. Mark Zuckerberg é um dos homens mais ricos do mundo. Você assiste Rush no Rio de Janeiro. Os Los Hermanos fazem turnê de despedida, entre as cidades, Recife. A gente começa a trabalhar. O mundo deu 612 voltas. 14688 horas se passaram.

Acho clichê dizer que eu amo mais você a cada dia. Talvez eu já ame você com todo o meu coração há muito tempo. O que muda, sem dúvidas, a cada dia é mais amor que eu sinto pela gente. Sinto amor por você, pelo que a gente vive, pelo que a gente vai viver. E quando eu fecho os olhos e posso ter a certeza que você me ama, a felicidade toma conta de mim. Vou te amar todos os dias. Vou te amar por mais mil dias. Vou te amar, te amar, te amar. Te amo. Feliz um ano e oito meses de amor. Feliz vida, minha vida. Feliz amor, meu amor.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quem mais quer viver sou eu

Já me desesperei, já chorei, já tive vontade de quebrar a casa. Dei chute no pé da cama, murro na janela. Gritei e estourei o celular no chão. Nada adiantou. Tenho mania de achar que o desespero pode modificar as coisas, quando na verdade tudo já está resolvido. Não sei se acredito em destino ou sorte, mas acredito que algo muito irônico vez ou outra acontece e nos traz de volta ao nosso caminho. Algumas coisas, não importa o quanto você relute, são extremamente diferentes do que você imaginava e queria. Não somos projeções perfeitas. Somos imperfeições. Somos o contrário do que queremos, por isso todos somos infelizes. E é a partir da infelicidade que podemos dar valor à felicidade. Não, não estou querendo promover um livro de autoajuda. Eu apenas queria falar sobre o tempo, esse tempo doido que te leva pessoas, te traz sorrisos, dias, lágrimas, copos, fotos e, quem sabe, até aquelas velhas pessoas. Nós mudamos, mudamos sim. Eu não sou mais a mesma, não adianta querer voltar, querer falar as mesmas gírias, achar graça nas mesmas conversas. Pois é, todos nós mudamos. E quem não muda, tenho medo deles. Afinal, ficar preso no tempo é coisa de gente maluca. Maluca e corajosa. Eu sou normal. Normal e medrosa e é por isso que eu mudo, mudo todos os dias. Mudo porque se eu não mudar, vou me sentir morta. Quem mais quer viver sou eu.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

De tantos no mundo, entre tantas possibilidades, entre tantos que eu poderia amar, é ele. Ele é quem me faz me sentir boba, parece que o tempo ao lado dele passa mais rápido, quando eu vejo já é hora de ir embora. O que me faz feliz é ir embora com a certeza que vou voltar.
Jamais acreditei em um amor assim, em um amor completamente puro e verdadeiro, que vai além que todas as coisas que já foram ditas ou feitas. É como se o resto do mundo inteiro não importasse, porque o meu amor já me basta. O amor que eu sinto por ele me alimenta, me mata a sede, o sono, o cansaço. Estou satisfeita.
Corações insaciáveis buscam sempre mais. Vejo constantemente pessoas abrindo mão de suas vidas, das pessoas de suas vidas, por achar que podem alcançar voos maiores, pessoas melhores. Eu não. Eu acredito, vou sempre acreditar, que ele é a pessoa melhor para mim.
Se eu pudesse definir o nosso destino, manteria nossos rumos juntos. Não podendo, tento alimentar esse amor, viver esse amor, amar esse amor, por todo o tempo que for possível. E eu espero, e quero, que seja para sempre.
A cada uma das pessoas que gosto, desejo que amem de toda alma e coração, como eu aprendi a amar um dia. Sim, aprendi. Porque aquela primeira coisa arrebatedora que dá, aquela sensação de estar nas nuvens, aquilo se chama paixão. Amor, amor de verdade mesmo, é quando a gente sabe dos defeitos, odeia os efeitos, tem vontade de matar a pessoa, mas decide ficar. E o que te prenderia aqui se não fosse o amor? O que te faria ficar, tentar, perdoar, aceitar, curar?
Amar não é quando a gente encontra alguém que combina em tudo. É quando a gente acha alguém que pode até combinar pouco, muito pouco. Mas você quer mesmo assim.

Eu quero você.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

E se não chamasse Sofia? Se a chamassem de Maria, Joana, Cláudia, Clara, Lúcia, Adriana, Rosa, Luiza, Amanda. Todas essas possibilidades a lavariam a esses mesmos caminhos ou a vida seria outra?

As escolhas que tomou e a vida que ela tinha. Ações que provocaram reações, perdas e ganhos. As histórias que poderia ter vivido e continuado e as que viveu. Os presentes que ganhou da vida, pensava "isso eu acertei". Tinha satisfação pelo que era, não se tratava de querer ser outra pessoa. Se tratava da curiosidade do que poderia ter sido.

E à noite, quando tudo era mais silencioso e podia ficar um pouco mais perto dela mesma, ela cantarolava as músicas de outra época, via fotos, cartas, poemas. E se sentia muitas em uma só.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sem chão. Todas as cores desapareceram, todos os sonhos foram despertados. Não sei se o céu está azul ou cinza, pois não me adianta olhar a janela. O sol não está mais. O sal invade a minha boca, minha pele. Não consigo me contentar em aceitar. O amor transborda, o desespero transborda, o medo, a pena. Pena do que eu queria ter vivido, dos sonhos que serão para sempre incompletos. Parte de mim morre agora. Como irmãos gêmeos, não consigo imaginar a minha vida sem ser dois. Não sei mais ser um. As palavras, os juramentos, o programa que tinhamos marcado pra semana que vem. Tudo agora se resume às caixas que guardo suas lembranças. Preferia mil facas enfiadas na garganta, mas uma mão de amor a me segurar. E ecos na minha mente insistem "eu sempre vou fazer de tudo pra ficar com você". Não há mais o que eu possa fazer. Não há mais você. Ainda há amor.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Amor e outras drogas - Resenha.

'Amor e outras drogas' é um filme que me fez refletir sobre três coisas: a carência feminina, a atuação de Anne Hathaway e um outro filme, que dez entre dez garotas vão saber: Um amor para recordar.

Vou começar por esse último. Assisti 'Um amor para recordar' quando tinha uns 12 anos. Algumas amigas minhas compraram o filme, tinham fotos do mocinho do filme no caderno. E nós amávamos tanto esse cara (confesso que eu nem gostei tanto assim do filme) apenas por um motivo: ele amava uma garota doente. Sim, ele passou por cima de tudo. Do fato dela ser a, velha, menina mais sem sal da escola, o fato dela ter câncer e do fato dela morrer. E as últimas palavras do filme são algo parecido com "nosso amor é como o vento, não posso vê-lo, mas posso senti-lo". Nunca esqueci disso. Acontece que esse amor só foi contemplado por tantas e tantas adolescentes, porque se o cara era capaz de amar até uma garota que tinha os dias de vida contados, ele era capaz de amar nós, gordinhas, magrelas, dentuças, de cabelos rebeldes, sardentas, baixinhas ou qualquer outra.
Passou o tempo, todas nós paramos de achar 'Um amor para recordar' o filme mais sensacional da história. Passamos a viver nossas próprias histórias de amor e aí, puft: Amor e outras drogas. Calma, não vou contar o final do filme, mas dá para perceber até pelo trailer que ela não é uma moça saudável. E mais uma vez o galã, o cara bonitão e capaz de arrebatar o coração de qualquer uma, vai querer a mulher menos provável. É como se o diretor do filme sussurrasse em nossos ouvidos "Ele também poderia amar você". E quando nos damos conta, estamos em uma sala de cinema, chorando e torcendo por um final feliz.
Estava lendo o livro Clube do Filme, do David Gilmor e ele define alguns filmes como 'pecado culposos'. São filmes que você sabe, não tem lá grande percepção artística, fotográfica, se quer há bons atores. Mas você gosta tanto daquela baboseira, que se sente culpado por se apaixonar por tal alienação. Gilmor cita como exemplo 'Uma linda mulher'. É claro que em 'Uma linda mulher' salvamos a atuação, ainda imatura, de Julia Roberts , mas mesmo assim salvamos. E o mesmo acontece em 'Amor e outras drogas'. Salvo a atuação de Anne Hathaway como uma verdadeira surpresa. Ela me envolveu e, bingo! Me emocionou com um filme tão previsível, ao qual eu já conhecia a receita desde os meus 12 ou 13 anos.
Se você é um chato, que não se permite de vez em quando viver uma emoção hollywoodyana e que jamais verá mais uma comédia romântica americana, ok. Mas se você se dá o direito de rir e se emocionar com essas histórias, ainda que da mesma forma, eu recomendo. Esse filme é para a gente, que se dá o direito de ser burro um pouquinho e se apaixonar por um conto de fadas ocidental.