Sofia saiu do banho, enrolou-se na toalha branca, se olhou no espelho. Achou estranho ver a imagem. Devia andar ocupada demais, pois alguma coisa tinha mudado e ela, com certeza, não estava tendo tempo nem de se olhar no espelho. Emagreceu. Não, engordou. Não sabia, alguma coisa estava estranha. É, engordou, com certeza foi isso. E o cabelo... O cabelo cresceu. Não, ela cortou semana passada. Então é isso, cortou e nem deu tempo de admirar. Depois viu algumas manchinhas vermelhas na pele, sorriu. Aquilo ela não tinha dúvida do que era, puro fruto de 'cosquinhas' muito fortes, feitas pelo seu namorado. Sim, Sofia estava namorando e, talvez, por isso havia abandonado mais o espelho, o velho blusão de algodão e o vinho do porto - seu companheiro insubstituível nas noites de solidão. Sofia agora estava acompanhada e, por mais que seja a coisa mais normal do mundo moças conseguirem acompanhantes, Sofia se sentia única e especial. Naquele momento seu tom era de felicidade repleta, a música de fundo na sua cabeça era 'Shoulder to shoulder' e as cores eram vermelho e lilás. Tons de euforia e ternura. Escovou os cabelos, colocou a roupa que seus olhos achou mais linda. Não fez questão de voltar ao espelho, arriscou deixar que o mundo conferisse se estava tudo bem. Afinal, Sofia agora era do mundo. Possuia o mundo. Sofia nunca esteve não linda. Sofia amava.
terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
bestinha, besta, bestona
Se existe alguém que sempre correu do amor brega e cafona, esse alguém sou eu. Por ironia, ele sempre acaba me alcançando, me fazendo ficar toda besta, brega, declarada, babona e apaixonadamente idiota. A verdade é que quando me apaixono sou outra pessoa. Sim, preciso confessar isso. Apesar de não ter orgulho de tal coisa, não sei me comportar direito quando alguém faz meu coração palpitar. E não é que palpita mesmo? Palpita, palpita sim. As mãos realmente ficam suadas, não é clichê. E você tem tanto pra dizer, mas acaba não dizendo nada, ou ainda dizendo uma coisa que simplesmente não tem nada a ver com nada. Patetas, ficamos todos patetas. O amor chega, me faz sentir como jamais fui acostumada a sentir. Me faz imaginar coisas idiotas, querer ser idiota, fazer coisas idiotas. Os atos feitos por amor são, na grande maioria, inúteis e sem sentido. Fazemos um belo café-da-manhã, passamos mais uma camada de maquiagem, nos ineteressamos por coisas que o ser amado gosta e entende. Só pra ter o que conversar, só pra se enfiar de vez nesse mundo que você agora parece amar mais do que o seu próprio universo. Cair de cabeça é perigoso, mas é mais perigoso ainda ficar na beirinha, esperando o amor passar. Eu, que sempre tentei fazer pose de durona, me joguei com tudo, acreditei no lance, investi no bofe, desci pro play, pedi pra brincar... De qualquer forma que queira entender, eu embarquei fundo nesse momento. Sou outra pessoa sim, estou meio aluada, sim, vivo pensando em coisinhas bestinhas, sim. Mas digo, sem gaguejar, amar é bom demais.
terça-feira, 2 de março de 2010
Sexo Frágil.
Todos sabemos o quanto as mulheres são estimadas como frágeis, puras e inocentes. Numa mulher não se bate nem com uma flor, uma mulher é doce, meiga, cheirosa. Mulher é um anjo em forma de gente.
NÃO. Não é assim que funciona. Na verdade as mulheres não são tao quentes e meigas. Diria mais, são frias e calculistas. Conheço mulheres, próximas a mim, que seriam capazes de acabar com a vida de muitos marmanjos. Mas como falar de gente conhecida é muito mais interessante, vou dar alguns exemplos de divas do mal, que acabaram, desestruturaram ou definiram a vida de tantos frágeis garotões :
NÃO. Não é assim que funciona. Na verdade as mulheres não são tao quentes e meigas. Diria mais, são frias e calculistas. Conheço mulheres, próximas a mim, que seriam capazes de acabar com a vida de muitos marmanjos. Mas como falar de gente conhecida é muito mais interessante, vou dar alguns exemplos de divas do mal, que acabaram, desestruturaram ou definiram a vida de tantos frágeis garotões :
- (primeiríssima em minha lista) COURTNEY LOVE (viúva de Kurt, alguns afirmam que seu suicídio foi por Courtney não mais o amar)
- (a dama do domínio, da manipulação) YOKO ONO (viúva de John , teoricamente um dos motivos do fim dos Beatles)
- CAMILLA PARKER BOWLES (atual esposa do Príncipe Charles, pivor do começo da crise entre Charles e a princesa Diana.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
renda-se, como eu me rendi (ao amor)
"Ele beijou seus lábios, ela teve vontade de dizer que o amava, que estava com saudades; se segurou"
Sofia entrou no velho e bom café da esquina. Aquele ambiente tão íntimo, que por vezes serviu de plano de fundo para as cenas de sua vida. Quantos choros nos ombros das amigas, dores de cotovelo curadas a base de chá mate e limão. De vez em quando, quando a seriedade pedia, mandavam descer aquela cerveja "semi-importada" e pensavam estar bêbadas - já que não dá pra ficar bêbada com uma cerveja que custa 7 reais. Pois bem, Sofia entrou no lugar de sempre, falou com Afonso, o garçom que lhe atendia sempre. Viu todos os doces do cardápio, não pediu nada a mais do que seu velho café com menta. Foi quando Ele atravessou a porta de vidro. Sofia sentiu o coração enlouquecido, mas ela não deixou mostrar. Ele beijou seus lábios, ela teve vontade de dizer que o amava, que estava com saudades; se segurou.
Ele vestia tênis vermelho e usava um casaco velho e um tanto sujo. Como sempre, sem cerimônia e romantismo, foi franco e encurtou as carícias do encontro com a delicada frase 'preciso tirar água do joelho'. Sofia estava acostumada com aquele jeito. Afinal, há quanto tempo já estavam juntos? Bem juntos, na verdade "juntos", na prática, pois na teoria ainda eram amigos. Não conversavam sobre o que acontecia, o que tinham, o silêncio e as atitudes se faziam valer. Um filme passava na cabeça de Sofia, desde o dia em que tinha o visto pela primeira vez até o dia de hoje, onde já havia tanta intimidade. Foi pensando na vida que encostou a cabeça no balcão, afim de dormir e sonhar. Só então percebeu que junto a chave do carro dele e à carteira tinha um bilhete e algo embrulhado com papel brilhante. Sofia, intuitivamente, achou que era pra ela e abriu o pequeno presente amarrotado. O bilhete dizia 'seja minha' e o objeto metálico caiu no chão, rodou uns segundos e parou nos pés de Sofia. Ela abaixou-se, era uma aliança. Quando se levantou ele havia voltado e estava em sua frente, com um olhar ansioso. Ela apenas colocou o anel em seu dedo e beijou-lhe os lábios. Era a prova de que até mesmo os brutos ou as modernas, todos são românticos. E, no final das contas, todos queremos alianças.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Nós dois aqui, com todos aqueles discos espalhados pelo chão. As revistas, as reportagens que você pegou pra me mostrar, as canecas de café quente em cima da mesinha, restos de pizza fria. Risadas, risadas, risadas. Continuei sorrindo, mas parei para ver a situação e, amor, eu quase chorei. Eu quase chorei de alegria por ter você e tudo aquilo, toda aquela bagunça, perto de nós. Todos aqueles planos cofessados, todas aquelas mentiras desmascaradas, tudo tão cru e tão sincero. Ali, onde só havia eu e você. Onde mais ninguém chegou, onde mais ninguém chegará. E eu senti um medo tão profundo, sabe? Um medo de te perder, de não ter mais isso um dia. Eu sei, eu sei que você me acha boba e infantil quando eu penso nisso. Só que eu não quero mais parar de ouvir aquele jazz com você, conversar sobre as matérias idiotas das revistas, tomar aquele café horrível que você faz, comer resto de pizza na sua casa... Isso agora sou eu. É o que eu quero ser. Quero ser pra sempre essa mulher que faz esse tipo de coisa ao seu lado, não quero que você divida mais suas idéias com outras pessoas, quero roubar você, raptar você, sugar, sugar, sugar. Só penso em te sugar.
Não vejo a hora de voltar a ficar perto de você em todas as horas, todos os segundos, dividindo tudo ou qualquer coisa. Não esqueça de mim, não esqueça de nós.
Sofia.
Não vejo a hora de voltar a ficar perto de você em todas as horas, todos os segundos, dividindo tudo ou qualquer coisa. Não esqueça de mim, não esqueça de nós.
Sofia.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
condenados
essa nova vida minha, esse novo jeito de acordar
essa rotina que chegou, uma nova caminhada
tudo igual ao meu redor, tudo muda à minha volta
sorrisos que vem do nada, estou perdendo o controle
à meia-noite o medo vem me visitar
e é imaginando ficar só que o desespero chega perto
minha mente não consegue sair daqui
e tudo que desejo é um pouco mais de você
estou condenada, enclausurada
estou submersa, submissa, subvertida
respiro suas lágrimas, aspiro seus sorrisos
estou completamente elouquecida, viciada
estraguei meus pensamentos
senti gosto de sangue, anestesiada, estou em transe
não consigo mais sair daqui
vou sugar você até a última gota
vou derramar lágrimas pelas suas facadas
estarei sempre aqui, se você também estiver
querido, você também foi condenado
essa rotina que chegou, uma nova caminhada
tudo igual ao meu redor, tudo muda à minha volta
sorrisos que vem do nada, estou perdendo o controle
à meia-noite o medo vem me visitar
e é imaginando ficar só que o desespero chega perto
minha mente não consegue sair daqui
e tudo que desejo é um pouco mais de você
estou condenada, enclausurada
estou submersa, submissa, subvertida
respiro suas lágrimas, aspiro seus sorrisos
estou completamente elouquecida, viciada
estraguei meus pensamentos
senti gosto de sangue, anestesiada, estou em transe
não consigo mais sair daqui
vou sugar você até a última gota
vou derramar lágrimas pelas suas facadas
estarei sempre aqui, se você também estiver
querido, você também foi condenado
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
'e eu sei que ainda vou voltar, mas eu quem será?'
Passamos por coisas na vida que nos sugam de uma forma tão imensa que no final das contas levaram muito, muito de nós. Nos levaram não só o tempo perdido com lágrimas e mau humor, por exemplo, mas também o tempo vazio que teremos sem vontade de sorrir e estar bem. A vida vai passando, você vai em sentido contrário. Você não cresce, você diminui. Você começa a ser cada vez menos você, cada mais os outros.
Passamos por coisas na vida que nos sugam de uma forma tão imensa que no final das contas levaram muito, muito de nós. Nos levaram não só o tempo perdido com lágrimas e mau humor, por exemplo, mas também o tempo vazio que teremos sem vontade de sorrir e estar bem. A vida vai passando, você vai em sentido contrário. Você não cresce, você diminui. Você começa a ser cada vez menos você, cada mais os outros.
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