E se ela tivesse a liberdade de voltar, fazer tudo diferente? Se tivesse a chance de se entregar a quem não fez, de dizer o que não falou, de dizer 'não' ao invés de sim e vice-versa? Como seria? Quem seria? Com o que tinha dava pra viver, dava pra aguentar. As vezes, em dias laranjas, pensava que tinha muito. Nem todos os dias são laranjas. Era irresponsável, não gostava de ser a culpada de nada. Nesse momento era a única pessoa que podia fazer algo por si. E não estava fazendo. Cheia de dúvidas, cheia de mágoas, cheia de esperanças, cheia de sonhos. Voltou a sua vidinha previsível e deixou de ousar querer mais. Se contentou com o que tinha, se convenceu de que era o bastante e resolveu esperar. Mais uma vez.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
I know I'll be alright
E se ela tivesse a liberdade de voltar, fazer tudo diferente? Se tivesse a chance de se entregar a quem não fez, de dizer o que não falou, de dizer 'não' ao invés de sim e vice-versa? Como seria? Quem seria? Com o que tinha dava pra viver, dava pra aguentar. As vezes, em dias laranjas, pensava que tinha muito. Nem todos os dias são laranjas. Era irresponsável, não gostava de ser a culpada de nada. Nesse momento era a única pessoa que podia fazer algo por si. E não estava fazendo. Cheia de dúvidas, cheia de mágoas, cheia de esperanças, cheia de sonhos. Voltou a sua vidinha previsível e deixou de ousar querer mais. Se contentou com o que tinha, se convenceu de que era o bastante e resolveu esperar. Mais uma vez.
sábado, 8 de agosto de 2009
Sofia: laranja.
Estava eu sentada na sala, olhando o sol se pôr entre os monumentos de concreto, vendo o chão de minha sala ficar laranja. Eu, Sofia, sempre gostei de ver o chão laranja. E também sempre gostei de ver o sol se pôr, mas naquela tarde nada daquilo me chamava mais a atenção do que uma certa conversa, obtida em um certo momento, com uma certa pessoa. Me senti presa de repente, quando percebi que meus desejos e vontades estão limitados ao viável e ao possível. Tudo o que quero depende de algo e esse algo quase sempre joga no outro time. Meu desejo de última hora se chama 'amor'. Amor que desejo transbordar, entender e sentir (sem questão de ordem). A gente não ama quando quer, mas quando a gente ama a gente sempre quer. Quer mais, quer de novo, quer todo dia. Eu, naquela tarde laranja, não sabia o que queria, mas fosse lá o que fosse, eu sabia com quem era. Por fim me senti livre do passado pesado, toquei as pontas dos meus dedos no chão; meus dedos também ficaram laranjas. O que me levaria ao próximo capítulo? Eu não sabia. Eu ainda não sei. Mas uma certeza tomou conta de mim, a de que mesmo quando o 'algo' joga no outro time, existe um sol se pondo lá fora, existe o laranja do apartamento. E eu ainda existia ali. Uma leve intuição me dizia que algo de grande estava para acontecer...
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Dentro de mim há uma exaustão. Tantos vasos quebrados, sonhos acabados, ilusões. Não há rancor, mas há tristeza. Tristeza do que não foi, daquilo que eu queria que tivesse sido. Sinto pena de cada pedacinho meu que se perdeu ao longo de todas as quedas. Quedas... Como caí! Caí, levantei, caí de novo, de novo, de novo... Caí como um patinho. Sempre foi fácil me enganar. Hoje pela primeira vez sinto algo acordar dentro de mim. Aquela parte morta, cinza, o tabu dos meus sentidos. Chega alguém que pisa em um lugar que há muito ninguém pisava, alguém que me promete nada mais que a verdade. Sinto um aperto no peito de saudade, uma coragem de seguir em frente, uma vontade de deixar isso crescer. Estou com medo. Medo do que vem pela frente, medo do novo, do estranho, do presente futuro que me aguarda. O que será que me aguarda? Eu estou a esperar e a desejar. Merda.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
parte II
Alô, som, gravando. Começou a segunda parte, aquela que é sempre mais difícil e emocionante. As coisas estão mais claras, as pessoas novas já não são tão novas e quem é quem fica mais evidente. O meu coração grita, chora, ri, tudo ao mesmo tempo. E que tempo é esse que passa cada vez mais rápido? Que me faz confundir meus sentimentos, minhas alegrias com minhas angústias, meu amor com o meu ódio. O tempo está passando, o relógio corre, a vida acontecendo e tudo vai mudando. E como mudou. Mudou em 1 mês, mas já tinha mudado antes. Teve coisa que mudou em uma semana, mas também tem coisa que continua no lugar. Assumir o que você é de verdade, sem medo do que os outros vão pensar. Estar feliz com quem lhe faz bem, independente de quem seja. Fazer alguém feliz. Sorrir. Estar em frente ao espelho e se sentir pura e verdadeira. Falar 'não' sem culpa, e 'sim' também. Viver, viver, viver. Viver é o novo mantra.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
A minha pele tem vestígio de mentirao
Meu corpo grita querendo liberdade da redoma criada
Minha mente anda cansada, procurando a saída
Meus braços não aguentam mais o ritmo, o ensaio
Cala, aguenta, beija, goza, mente
Na solidão de ser só descobri que quero gente
Uma sombra pra pisar, uma sombra e mais nada
O ódio do meu peito me faz gritar calada
O corpo que queima contra o seu, pede por carne
A mentira que te faço falar, soa como o sossego do domingo a tarde
Reviro a história atrás de desculpas que possam me igualar
A toda escória da minha vida, que, uma vez, já deixei que me matassem
Um nó aperta minha garganta
Os dedos do vazio deslizam meu corpo
Sinto saudades do equilíbrio, agora distante
Num baú de lembranças me afogo em quem era, me afogo em você
É como estar acorrentada junto à porta de saída
Não sei como não me sentir suja
Rodrigo Lins e Maria Eduarda Ferraz
Meu corpo grita querendo liberdade da redoma criada
Minha mente anda cansada, procurando a saída
Meus braços não aguentam mais o ritmo, o ensaio
Cala, aguenta, beija, goza, mente
Na solidão de ser só descobri que quero gente
Uma sombra pra pisar, uma sombra e mais nada
O ódio do meu peito me faz gritar calada
O corpo que queima contra o seu, pede por carne
A mentira que te faço falar, soa como o sossego do domingo a tarde
Reviro a história atrás de desculpas que possam me igualar
A toda escória da minha vida, que, uma vez, já deixei que me matassem
Um nó aperta minha garganta
Os dedos do vazio deslizam meu corpo
Sinto saudades do equilíbrio, agora distante
Num baú de lembranças me afogo em quem era, me afogo em você
É como estar acorrentada junto à porta de saída
Não sei como não me sentir suja
Rodrigo Lins e Maria Eduarda Ferraz
terça-feira, 28 de julho de 2009
Sofia: placas de carro não dizem nada

Sofia naquela manhã colocou a calcinha e o sutien da sorte. Não tomou o suco de maçã em caixinha, porque toda vez que ela tomava aquele bendito suco acontecia algo ruim. Tentou sair de casa com o pé direito e rezou no caminho para que tudo desse certo. De nada adiantou, a vaga do emprego tinha sido preenchida. Merda. Saiu do alto prédio empresarial e parou na banca de revista, pediu ao rapaz da banca que lhe desse uma carteira de Carlton, mas voltou atrás quando a voz irritante da consciência lhe disse que ela tinha parado de fumar. Saco! Nem fumar ela podia. Passou uma ambulância e Sofia tinha mania de somar todos os números das placas até totalizar apenas um. Era uma brincadeira que sua mãe tinha lhe ensinado e ela levava essa mania por toda vida. Somou todos os números, deu o número 8. O número significava ódio e era exatamente o que Sofia sentia naquele momento. Que dia azarado! Resolveu ir andando pra casa e enquanto pensava na bela porcaria que era sua vida, tropeçou e caiu nos braços de um anjo. E um anjo de carne osso. E de repente nasce um belo dia.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
O mundo é uma bola
O filosófico trecho da música de brega me trouxe pensamentos e me fez chegar a conclusões. Se o mundo gira, o mundo é uma bola, uma roda gigante ou sei lá o quê, é preciso estar preparado para passar por situações parecidas com essas de agora. A verdade é que não estamos. Esperamos sempre o novo, o diferente, o que na verdade nunca acontece. Na nossa vida as coisas são na grande maioria das vezes muito parecidas, quando não idênticas. Administrar a morte de alguém, o aperto de uma despedida, a impaciência de uma fila de banco, a dor de uma decepção amorosa, a saudade dos amigos, a saudade de quem era você. E quem era você? O que você fez com seu tempo, o que o seu tempo fez com você? Você só repara que mudou quando passa no mesmo trecho da roda gigante e nota que ops! tem algo diferente aqui. Quem você deixou pra trás no caminho? Quanto de quem você era você já não é mais? Você prefere isso de agora ou o você de antes? E quem vai saber...
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