Lembro a primeira vez que eu fiquei sozinha em casa. Minha mãe tinha ido me buscar numa festa de aniversário de uma amiga da escola e o carro quebrou na volta pra casa. Voltamos andando e o meu pai voltou até lá com ela para resolver a situação do fiat uno azul metálico (horroroso, por sinal). Chovia muito naquela noite. Fiquei olhando da varanda a esquina da rua da minha casa, esperando que meus pais voltassem. Eles demoraram, no máximo, duas horas, mas parecia uma eternidade.
Outro dia estava no ponto de ônibus e uma menina de uns 3 ou 4 anos me olhava e sorria. Então sorri de volta e ela falou para sua mãe "olha, mãe, a mulher tá rindo". Inconscientemente olhei para os lados, procurando a tal mulher. Acontece que aqui, no auge dos meus 21, eu ainda não tinha reparado que não sou mais uma menina. E, acreditem, aquilo me pegou de surpresa.
Crescer dói. Dói pagar as contas e dói mais ainda arcar com as responsabilidades das nossas escolhas. Precisamos decidir o tempo inteiro. Açúcar ou adoçante, com ou sem leite, molho branco ou bolonhesa, ir de escada ou elevador, casar ou comprar um bicicleta. E todas, todas as nossas escolhas provocam reações. E não afetamos só a nós, afetamos a nossos pais, amigos, amantes, colegas de trabalho. Pessoas que lidam com o nosso mau humor, estresse, TPM e azia.
Então vem esse medo de agir, medo de magoar alguém por agir errado. E as vezes nem o medo nos poupa de sermos imprudentes, impulsivos, extravagantes.
Quando a gente tem medo aos 21 e não pode mais esperar os pais na varanda, o que a gente faz? Bem, eu acho que a gente deve começar a limpar toda a sujeira. Deve ser um bom começo.
A primeira tarefa que eu preciso fazer aos 21, portanto, é essa. Limpar toda a sujeira.
Vamos recomeçar. Com medo, é verdade. Mas quem tem medo também tem fé.
domingo, 26 de agosto de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
A rua
Ana agarrava Jorge dentro do banheiro corporativo da firma.
Naquele mesmo instante, no mesmo empresarial, Guto, o motoboy, deixava seu telefone na mesa de Ronaldo, o recepcionista do escritório de arquitetura.
No mesmo bairro, ainda no mesmo quarteirão, Bia deixava Leo com olhos cheios de lágrima ao mostrar o seu coração alado tatuado com o nome dele nas costas.
Do outro lado da rua, Marcela dizia "sim" a Rodrigo na mesa forrada com toalha de linho do restaurante mais 'in' da cidade.
E por mais que houvesse tanto amor naquelas redondezas, eu só conseguia pensar em nós ali, parados dentro daquele carro. Esperando algo de bonito e salvador acontecer. Algo que tirasse as dúvidas, os medos, as preocupações corriqueiras. Pensei em abrir a boca, mas na mesma hora você também impulsionou o corpo pra frente, como quem ia tomar alguma atitude. Fiquei calada então. Mais alguns minutos se passaram, nada se disse.
Abri a porta do carro, olhei firme para você. Você sabia, naquele momento, o que eu estava querendo dizer. E o meu coração gritava "olha, se você não me sequestrar agora e me levar, sei lá, para o quinto dos infernos, eu saio deste carro e você nunca mais vai me ver". Você continuava olhando pra mim. Assim, como quem não espera que o pior aconteça. Como quem só espera um milagre.
Foi então que eu olhei bem nos castanhos dos teus olhos. Castanhos quase verdes, desses que dá pra se perder na profundidade, na dúvida e no mistério. Olhei e vi todas as nossas cenas. Nós, desconfortáveis, é verdade, no primeiro encontro. Depois naquele hotel barato da nossa primeira viagem juntos. E como não lembrar dos dias no hospital quando você cuidou de mim dia e noite sem parar?
Fechei a porta do carro. Peguei na sua mão. Respiramos juntos. Inclinei a cabeça para frente e disse "vamos". Você sorriu.
Jorge deixou Ana pela nova secretária. Guto não atendeu quando Ronaldo ligou. Bia cobriu o coração alado com um dragão. Marcela fugiu da igreja com uma mulher.
Mas eu e você estamos aqui. Dentro do carro, perdidos na imensidão do desespero e na certeza de todos os sorrisos.
domingo, 8 de julho de 2012
Músicas ruins.
Cheiros, cores e objetos são traiçoeiros, mas nada é mais cruel do que uma música. Músicas te levam a outro lugar, te fazem lembrar de pessoas queridas e, muitas vezes, nem tão queridas assim. De repente, um ou dois acordes te chacoalham a memória e você se pergunta o que mudou.
Eu ainda consigo sentir a respiração ofegante. O quarto escuro, as cortinas fechadas. Dias e dias sem sair para ver o sol. Apenas sentindo toda aquela dor e sofrimento. Na verdade eu acho que não sentia mais nada. Tudo já estava dormente, inclusive o meu coração.
É difícil lembrar de cada parte dessa história sem precisar engolir seco e respirar fundo. Mas quando eu lembro, a única coisa que faço é agradecer. Agradecer ao tempo, a deus, à força suprema, aos espíritos, ao paraíso, a alá, a buda, a qualquer coisa que possa interferir em nossas vidas, por ter conseguido superar aqueles dias em que a tristeza me visitou sem trégua.
A música está na metade agora. Irônico, há um trecho, apenas um trecho, que me remete a uma boa sensação. Era o show da minha banda favorita e eu erguia os braços para cima, pulava e cantava. Na minha cabeça, naquele momento, eu estava feliz. Mas apenas naquele momento.
Depois vem toda a cena da chuva, o medo e, mais uma vez, o quarto escuro e solitário.
A música está no fim agora. As lembranças vão se recolhendo em meu coração.
A próxima canção é animada e me lembra um final de semana entre amigos numa praia perto da minha cidade. As lembranças ruins, por ora, foram embora. Mas uma música sempre serve para lembrar que certas coisas não passam. Não passam nunca.
domingo, 1 de julho de 2012
I believe in magic
Quando somos pequenas, leem histórias de príncipes e princesas para que possamos dormir. Durante muito tempo, ouvi minhas amigas desejarem príncipes, castelos e cavalheirismo. Leia-se cavalheirismo como atitudes cordiais de abrir a porta do carro ou puxar a cadeira para a mocinha sentar. Um homem que use roupas apresentáveis e tenha dentes brancos.
Mas do que vale ele pagar a conta se, durante o jantar, ele não ouviu uma palavra do que você disse e ainda te encheu os ouvidos falando sobre o modelo do próximo carro novo? É pensando assim que eu vejo o quanto a necessidade de parece viver um conto de fadas transforma a vida de muita gente em um verdadeiro inferno.
Eu prefiro viver com alguém de carne, osso e coração. Alguém que não abra a porta do carro, mas que alise a minha cabeça até que eu consiga dormir. Não, eu não preciso de alguém que pague minhas contas. Mas eu preciso de alguém que ouça todas as minhas angústias e minhas vitórias no trabalho. Eu não quero alguém que use a mais alta costura. Sinceramente, prefiro encontrar furinhos nas velhas camisetas surradas.
E quando eu tenho isso, acreditem, eu vivo o maior conto de fadas. Eu vivo cada olhar, cada toque ao som de uma balada só nossa. Eu não quero viver, jamais, como esses casais que não se falam durante o jantar e que vão para casa intactos, embalados na mais alta classe. Eu prefiro perder a linha com o meu par e, bêbados, rirmos da vida alheia e da nossa vida. Perder a classe, mas nunca perder o sorriso.
Não, eu não acredito em príncipes e nem em cavalheirismo. Eu acredito em chamego, em agarrado, acredito em beijo de reconciliação e acredito em cafuné. Eu não acho que o que qualificaria um homem a ser digno de ser meu seria o jeito com que ele me trata com devoção e, sim, o jeito com que ele me trata com franqueza, com respeito e amor.
Um cara desajeitado, com uma camisa surrada e sem a menor habilidade para abrir portas de carro pode transformar a sua vida em mágica. Basta saber qual o tipo de magia que vai importar no seu coração.
Mas do que vale ele pagar a conta se, durante o jantar, ele não ouviu uma palavra do que você disse e ainda te encheu os ouvidos falando sobre o modelo do próximo carro novo? É pensando assim que eu vejo o quanto a necessidade de parece viver um conto de fadas transforma a vida de muita gente em um verdadeiro inferno.
Eu prefiro viver com alguém de carne, osso e coração. Alguém que não abra a porta do carro, mas que alise a minha cabeça até que eu consiga dormir. Não, eu não preciso de alguém que pague minhas contas. Mas eu preciso de alguém que ouça todas as minhas angústias e minhas vitórias no trabalho. Eu não quero alguém que use a mais alta costura. Sinceramente, prefiro encontrar furinhos nas velhas camisetas surradas.
E quando eu tenho isso, acreditem, eu vivo o maior conto de fadas. Eu vivo cada olhar, cada toque ao som de uma balada só nossa. Eu não quero viver, jamais, como esses casais que não se falam durante o jantar e que vão para casa intactos, embalados na mais alta classe. Eu prefiro perder a linha com o meu par e, bêbados, rirmos da vida alheia e da nossa vida. Perder a classe, mas nunca perder o sorriso.
Não, eu não acredito em príncipes e nem em cavalheirismo. Eu acredito em chamego, em agarrado, acredito em beijo de reconciliação e acredito em cafuné. Eu não acho que o que qualificaria um homem a ser digno de ser meu seria o jeito com que ele me trata com devoção e, sim, o jeito com que ele me trata com franqueza, com respeito e amor.
Um cara desajeitado, com uma camisa surrada e sem a menor habilidade para abrir portas de carro pode transformar a sua vida em mágica. Basta saber qual o tipo de magia que vai importar no seu coração.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
casal de sorrisos largos.
Entre todos os casais que já conheci, eles eram um dos mais bonitos. Os dois com sorrisos largos, pele morena, cabelos negros e olhos redondos. Pareciam irmãos, é verdade. Exceto pelo tesão visivelmente presente. Os dois ali, juntos, pareciam dar choque.
Ela era meiga, dessas meninas que de tão bonitas todos tinham raiva só de olhar. Mas com tanta doçura, não cabia outra opção a não ser adorá-la. Ele era desses cabras charmosos. Tocava violão, falava francês e tinha os cabelos enrolados, que chamavam os dedos de qualquer menina para brincar em volta de sua nuca, descendo a mão pelos cachinhos negros que desciam até os olhos.
Essa semana soube que eles não estão mais juntos. Brigaram, acabaram, parece que apareceu outra menina - para ele ou para ela, não entendi ao certo. Nunca fui próxima deles a ponto de ter coragem de chegar, na malandragem, e perguntar o que aconteceu. Mas que o meu peito doeu, doeu.
É tão difícil você ver duas pessoas juntas e não conseguir imaginar uma sem a outra. É tão difícil um casal conseguir transmitir tanta paixão e tanto carinho para terceiros. Acho que quando é de verdade, os sentimentos ultrapassam o individual e transcendem as paredes, fazendo com que todos percebam o segredo dos dois. Aquele segredo que se diz ao pé do ouvido, assim, sussurrando, na imensidão de coisas de um 'eu amo você'.
Aos dois, desejo toda felicidade do mundo sozinhos. Por mais que tenham deixado o mundo menos belo e mais infeliz não estando mais juntos. E que possam se encontrar, mais tarde quem sabe, dentro de um dia colorido. Quem sabe se reconheçam pelos cabelos negros, olhos redondos e sorrisos largos e continuem aquela história bonita que, mesmo acabando, ao meu ver foi infinita.
Ela era meiga, dessas meninas que de tão bonitas todos tinham raiva só de olhar. Mas com tanta doçura, não cabia outra opção a não ser adorá-la. Ele era desses cabras charmosos. Tocava violão, falava francês e tinha os cabelos enrolados, que chamavam os dedos de qualquer menina para brincar em volta de sua nuca, descendo a mão pelos cachinhos negros que desciam até os olhos.
Essa semana soube que eles não estão mais juntos. Brigaram, acabaram, parece que apareceu outra menina - para ele ou para ela, não entendi ao certo. Nunca fui próxima deles a ponto de ter coragem de chegar, na malandragem, e perguntar o que aconteceu. Mas que o meu peito doeu, doeu.
É tão difícil você ver duas pessoas juntas e não conseguir imaginar uma sem a outra. É tão difícil um casal conseguir transmitir tanta paixão e tanto carinho para terceiros. Acho que quando é de verdade, os sentimentos ultrapassam o individual e transcendem as paredes, fazendo com que todos percebam o segredo dos dois. Aquele segredo que se diz ao pé do ouvido, assim, sussurrando, na imensidão de coisas de um 'eu amo você'.
Aos dois, desejo toda felicidade do mundo sozinhos. Por mais que tenham deixado o mundo menos belo e mais infeliz não estando mais juntos. E que possam se encontrar, mais tarde quem sabe, dentro de um dia colorido. Quem sabe se reconheçam pelos cabelos negros, olhos redondos e sorrisos largos e continuem aquela história bonita que, mesmo acabando, ao meu ver foi infinita.
O anel do azar.
Adoro um brechó, um bazar e afins. Acho o máximo. Me assusta um pouco vestir roupas de gente morta, é verdade, mas eu sou corajosa. Já comprei bolsas, vestidinhos, blusinhas e nunca tive problemas. Também conheço quem compre e acho que, hoje em dia, virou até hype.
Acontece que entre todas as variedades disponíveis nos brechós da vida, eu nunca, nunquinha mesmo, simpatizei com uma coisa: as joias.
Não que eu esteja falando de diamantes e esmeraldas, mas até as mais simples das bijoux me deixam receosas de comprá-las depois que alguém já tenha usado.
Uma vez li, em alguma revista imbecil, que as joias carregam o peso do coração de uma mulher. Aquilo ficou na minha cabeça e sempre achei que pedras e correntes poderiam carregar energias por muito mais tempo do que roupas, móveis, casas ou carros. São objetos pessoalíssimos, desses que se escolhe a dedo antes de pôr no corpo.
Pois bem, mês passado eu saí para almoçar com uma amiga e ela usava um lindo anel. Ela recatada toda, logo reconheceu que o anel era a-minha-cara e tirou do dedo para que eu pudesse experimentar. Quando ela viu meus olhinhos brilhando, concedeu que eu ficasse com a peça e eu pulei de alegria com o presente.
Acontece que essa minha amiga não é lá o melhor exemplo para alto astral. Ela reclama de tudo, tudo mesmo, o tempo inteiro. E nada para ela é bom ou excelente. Acho que nunca a vi ter uma crise de riso. Enfim, uma pessoa das quais não descreveria como alguém leve.
Hoje saí de casa parecendo que ainda estava de pijama e coloquei o anel para dar um up no visual. Ele, de tão lindo, ganhou logo o gosto das amigas do trabalho que perguntaram onde eu tinha comprado. Expliquei que tinha sido presente. Acontece que desde que eu pus aquele danado daquele anel, meu dia começou a dar errado.
Veio uma dor de cabeça dos infernos, o trabalho, que estava super calmo, me prendeu até às 21h e o encontro marcado com o namorado foi cancelado por outros compromissos. Li um texto de uma ONG que me deixou com um nó na garganta até agora e perdi o ônibus para a faculdade.
O tempo inteiro pensava 'tenho certeza que é essa porcaria no meu dedo', mas tentava pensar em outra coisa para não dar asas à minha fantástica imaginação. Exausta, na volta pra casa tomei um táxi e tirei o anel. Na mesma hora, o taxista liga a TV portátil e eu abro o primeiro sorriso do dia com uma cena da novela. O mundo parecia mais leve naquele momento.
Cheguei em casa e encontrei mãe, avó e tia em frente à TV me esperando com pão doce para o jantar.
Coincidência ou não, parece que o dia só começou quando guardei o anel na última gaveta jurando nunca mais usar. E a minha amiga que não me escute, mas boas vibrações são fundamentais.
Acontece que entre todas as variedades disponíveis nos brechós da vida, eu nunca, nunquinha mesmo, simpatizei com uma coisa: as joias.
Não que eu esteja falando de diamantes e esmeraldas, mas até as mais simples das bijoux me deixam receosas de comprá-las depois que alguém já tenha usado.
Uma vez li, em alguma revista imbecil, que as joias carregam o peso do coração de uma mulher. Aquilo ficou na minha cabeça e sempre achei que pedras e correntes poderiam carregar energias por muito mais tempo do que roupas, móveis, casas ou carros. São objetos pessoalíssimos, desses que se escolhe a dedo antes de pôr no corpo.
Pois bem, mês passado eu saí para almoçar com uma amiga e ela usava um lindo anel. Ela recatada toda, logo reconheceu que o anel era a-minha-cara e tirou do dedo para que eu pudesse experimentar. Quando ela viu meus olhinhos brilhando, concedeu que eu ficasse com a peça e eu pulei de alegria com o presente.
Acontece que essa minha amiga não é lá o melhor exemplo para alto astral. Ela reclama de tudo, tudo mesmo, o tempo inteiro. E nada para ela é bom ou excelente. Acho que nunca a vi ter uma crise de riso. Enfim, uma pessoa das quais não descreveria como alguém leve.
Hoje saí de casa parecendo que ainda estava de pijama e coloquei o anel para dar um up no visual. Ele, de tão lindo, ganhou logo o gosto das amigas do trabalho que perguntaram onde eu tinha comprado. Expliquei que tinha sido presente. Acontece que desde que eu pus aquele danado daquele anel, meu dia começou a dar errado.
Veio uma dor de cabeça dos infernos, o trabalho, que estava super calmo, me prendeu até às 21h e o encontro marcado com o namorado foi cancelado por outros compromissos. Li um texto de uma ONG que me deixou com um nó na garganta até agora e perdi o ônibus para a faculdade.
O tempo inteiro pensava 'tenho certeza que é essa porcaria no meu dedo', mas tentava pensar em outra coisa para não dar asas à minha fantástica imaginação. Exausta, na volta pra casa tomei um táxi e tirei o anel. Na mesma hora, o taxista liga a TV portátil e eu abro o primeiro sorriso do dia com uma cena da novela. O mundo parecia mais leve naquele momento.
Cheguei em casa e encontrei mãe, avó e tia em frente à TV me esperando com pão doce para o jantar.
Coincidência ou não, parece que o dia só começou quando guardei o anel na última gaveta jurando nunca mais usar. E a minha amiga que não me escute, mas boas vibrações são fundamentais.
terça-feira, 12 de junho de 2012
O papel celofane.
Ontem fui terminar de comprar o presente do dia dos namorados. Precisava de uma caixa bonita e muitos papéis coloridos, além de um papel celofane transparente, porque é muito mais bonito. Pois bem, esse texto vai seguir assim mesmo, viu? Bem brega. Continuando, a loja já iria fechar e nada do papel celofane transparente. Até que avisto um, o último. Pena que uma mocinha, com uma bela cesta de chocolates nas mãos, também viu e entramos em competição para ver quem, no final das contas, iria levar a melhor.
Saí de lá rindo, pensando em como as mulheres são bobas. E acreditei que, naquele momento, enquanto eu lutava arduamente por um papel celofane com a tal fulana, nossos namorados assistiam TV e tomavam cerveja. Homem não liga pra essas coisas.
Cheguei em casa morta de cansada. Mas eu e Lucas combinamos de trocar presentes na noite de ontem, então ainda terminei de montar o presente e me arrumei.
Tínhamos pensado em ir a um restaurante fino e caro. Mas, no carro, decidimos ir no mesmo restaurante de sempre. Melhor assim. E à meia-noite, trocamos presentes. Lucas me deu um dos melhores presentes que já ganhei na vida. E, melhor, numa caixa, dessas que eu pensei que só as mocinhas compravam. Não tem escapatória, no final das contas todos somos bobos.
Disseram que hoje era o dia do amor. Eu acho que hoje é um dia de comemoração, sim. Se o comércio determinou que hoje seria o dia dos namorados e que todos ganhariam presentes, acho muito justo lutarmos pelo último celofane da loja. Mas hoje tem que ser um dia de comemoração por tudo que você tem no coração.
Quando Lucas toca a campainha da minha casa e eu fico nervosa querendo saber se eu tô bonita. Quando eu durmo junto dele e ele acorda de madrugada só pra fazer cafuné, mesmo acreditando que eu já durmo solenemente. Quando a gente briga e depois ri da briga, ridicularizando todos os defeitos e só deixando as coisas boas. Esses são os meus momentos preferidos.
O amor provoca isso nas pessoas.
E, por falar em amor, eu não consigo deixar de pensar em um dos meus melhores amigos, que se chama Ricardo. Ricardo, ou Cadinho, era o estereótipo do homem desacreditado. Todas as vezes que chorei por amor no ombro de Ricardo, ouvia coisas do tipo "isso passa, doido". E passava. Mas eu, apaixonada, acreditava na eternidade de todos os meus amores. Cadinho nunca acreditou. Nem nos amores dele, nem nos meus.
Acontece que chegou uma menina na vida de Cadinho que mudou tudo. O menino começou a ficar endoidecido, com olhos brilhando e falando dela como quem fala de uma mistura de ursinho fofinho com pedra preciosa. Sim, Cadinho virou um homem meloso e apaixonado. Talvez ele nem saiba, mas hoje eu sinto um orgulho dele fora do comum. Ele, finalmente, abriu o peito para os sentimentos e agora se deixa levar por tudo, até mesmo pela crença na eternidade de um amor.
Então hoje eu desejo um feliz dia do amor para o meu amor e para os meus amigos. Porque, no final das contas, somos todos crianças, correndo atrás de uma bela história para viver. Ou de um rolo de papel celofane para enfeitar.
Saí de lá rindo, pensando em como as mulheres são bobas. E acreditei que, naquele momento, enquanto eu lutava arduamente por um papel celofane com a tal fulana, nossos namorados assistiam TV e tomavam cerveja. Homem não liga pra essas coisas.
Cheguei em casa morta de cansada. Mas eu e Lucas combinamos de trocar presentes na noite de ontem, então ainda terminei de montar o presente e me arrumei.
Tínhamos pensado em ir a um restaurante fino e caro. Mas, no carro, decidimos ir no mesmo restaurante de sempre. Melhor assim. E à meia-noite, trocamos presentes. Lucas me deu um dos melhores presentes que já ganhei na vida. E, melhor, numa caixa, dessas que eu pensei que só as mocinhas compravam. Não tem escapatória, no final das contas todos somos bobos.
Disseram que hoje era o dia do amor. Eu acho que hoje é um dia de comemoração, sim. Se o comércio determinou que hoje seria o dia dos namorados e que todos ganhariam presentes, acho muito justo lutarmos pelo último celofane da loja. Mas hoje tem que ser um dia de comemoração por tudo que você tem no coração.
Quando Lucas toca a campainha da minha casa e eu fico nervosa querendo saber se eu tô bonita. Quando eu durmo junto dele e ele acorda de madrugada só pra fazer cafuné, mesmo acreditando que eu já durmo solenemente. Quando a gente briga e depois ri da briga, ridicularizando todos os defeitos e só deixando as coisas boas. Esses são os meus momentos preferidos.
O amor provoca isso nas pessoas.
E, por falar em amor, eu não consigo deixar de pensar em um dos meus melhores amigos, que se chama Ricardo. Ricardo, ou Cadinho, era o estereótipo do homem desacreditado. Todas as vezes que chorei por amor no ombro de Ricardo, ouvia coisas do tipo "isso passa, doido". E passava. Mas eu, apaixonada, acreditava na eternidade de todos os meus amores. Cadinho nunca acreditou. Nem nos amores dele, nem nos meus.
Acontece que chegou uma menina na vida de Cadinho que mudou tudo. O menino começou a ficar endoidecido, com olhos brilhando e falando dela como quem fala de uma mistura de ursinho fofinho com pedra preciosa. Sim, Cadinho virou um homem meloso e apaixonado. Talvez ele nem saiba, mas hoje eu sinto um orgulho dele fora do comum. Ele, finalmente, abriu o peito para os sentimentos e agora se deixa levar por tudo, até mesmo pela crença na eternidade de um amor.
Então hoje eu desejo um feliz dia do amor para o meu amor e para os meus amigos. Porque, no final das contas, somos todos crianças, correndo atrás de uma bela história para viver. Ou de um rolo de papel celofane para enfeitar.
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