O que foi mesmo que me disseram? Ah, sei. Que eu iria me acostumar, que com o tempo o meu coração não iria mais acelerar ao te ver chegar. Que a rotina ia me possuir, que eu iria me cansar do jeito carinhoso de chamar, que as frescurites de paixonite aguda iriam acabando-se, pouco a pouco. Pois bem, comigo foi diferente. As possibilidades de eu não ter seguido a regra são muitas. Posso ter uma disfunção no cérebro, um retardo emocional, posso realmente te amar demais ou simplesmente ser rebelde e jogar o jogo de outra forma. Mas a verdade, a verdade mesmo, é que durante todo esse tempo, não consegui diminuir nada - nada mesmo - do que eu sinto por você. Ainda olho o celular a cada cinco minutos, com a esperança de receber uma mensagem, quem sabe uma chamada perdida. Recados na página pessoal dos sites de relacionamento, e-mails, pergunto ao meu porteiro se tem algum recado. Tudo com a esperança de preencher meu dia a dia com tuas coisas, tuas palavras, tua presença. Quando você aponta pela janela, deus!, fico a ponto de passar mal de nervosa. As mãos ficam geladinhas, o coração fica mais rápido do que uma bateria. E então, quando você chega, posso sentir seu corpo quente, seu olhar sincero. Você me traz paz, você me traz amor.
O que mais gosto em você são os seus hábitos estranhos e sem sentido. Ah, como eu gosto! Só você tem as mãos inquietas, prestes , sempre, a mexer ou até quebrar alguma coisa. Eu amo você porque você é assim, certinho, leva tudo ao pé da letra. Eu amo você porque você lê todos os manuais de instruções, até o do macarrão instantâneo. E quando alguém surta de nervosismo ao seu lado, você fala 'se acalme', com voz forte e imperativa, pois você é a única pessoa que acredita que isso pode funcionar. E isso, isso é lindo.
Quando rimos das desgraças, quando você cozinha para mim, quando eu te peço com aquela voz manda para lavar os pratos no meu lugar e você força um sorriso, odiando aquilo, mas vai lavar. Quando tentamos imaginar as vidas alheias ou quando temos a certeza que nenhuma vida é melhor que a nossa. Em todos esses momentos, eu amo você. E é tanto amor que mal consigo respirar. É tanta emoção, tanto coração, tanta verdade, tanto, tanto, tanto tudo... Eu, você, o nós, o nó. E a minha vida segue e eu quero mais. Acho que estou doente, meu querido. Eu estou amando e , mais do que nunca, é de verdade.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
vinte de junho
"Conheço você de algum lugar" "Conhece?" - ele desdenhou. Ela apenas sorriu, o que fez ele também pensar que a conhecia, lembrou daquele sorriso. Pensou alto, "De onde?", ela conseguiu ouvir, mas nada disse. Estendeu sua mão, ele segurou. Chegou ao topo da montanha, sem perceber que tinha escalado tanto. Ela disse "Pode deitar aqui", oferecendo seu colo. Ele achou estranho não achar estranho deitar no colo de uma mulher que ele não conhecia. Ela afagou seus cabelos e disse o quanto era doce o seu olhar. Onde ele estava? Quem era aquela mulher que, apesar de tão familiar, ele jamais tinha visto antes? Dormiu em seu colo.
O sol nasceu, fez com que os machucados dele ganhassem melhora. Ela fazia curativos uma vez na semana. Ele questionou ''Que tal fazer curativos todos os dias? Alivia tanto a dor!" Ela olhou firme nos olhos dele, "Você não pode se acostumar e eu não posso te trazer apenas boas sensações". O tempo passou de maneira veloz, ele acostumou-se com o corpo dela e o cheiro doce que possuía.
Foi em uma tarde chuvosa que um anjo apareceu. Ela tinha saído, foi procurar coisas bonitas para enfeitar a cabana, queria agradá-lo naquela noite. O anjo vestia uma capa preta, o que fez ele pensar que poderiam ser notícias ruins. "Hoje você vai embora. Já está curado e uma hora ou outra isso vai acontecer. Antecipa o sofrimento dela, é o melhor a fazer". Ele não soube explicar o que o fez seguir o anjo, afinal, ele adorava viver daquela forma. Porém, foi embora sem deixar vestígios. Desceu ao concreto, voltou a sentir dor, as feridas se abriram novamente.
Então em um dia, sentado em sua escada, ele sentiu um cheiro familiar. Fechou os olhos, sentiu os lábios dela tocarem os seus. Confuso, apenas ouviu a voz dela embalar seus ouvidos "Estarei sempre aqui, serei seu ponto de fuga e equilíbrio. Te ouvir, te fazer sorrir e te amar é o que eu devo fazer''. E agora ele sabia que ainda existiriam vezes em que se sentiria vivo.
O sol nasceu, fez com que os machucados dele ganhassem melhora. Ela fazia curativos uma vez na semana. Ele questionou ''Que tal fazer curativos todos os dias? Alivia tanto a dor!" Ela olhou firme nos olhos dele, "Você não pode se acostumar e eu não posso te trazer apenas boas sensações". O tempo passou de maneira veloz, ele acostumou-se com o corpo dela e o cheiro doce que possuía.
Foi em uma tarde chuvosa que um anjo apareceu. Ela tinha saído, foi procurar coisas bonitas para enfeitar a cabana, queria agradá-lo naquela noite. O anjo vestia uma capa preta, o que fez ele pensar que poderiam ser notícias ruins. "Hoje você vai embora. Já está curado e uma hora ou outra isso vai acontecer. Antecipa o sofrimento dela, é o melhor a fazer". Ele não soube explicar o que o fez seguir o anjo, afinal, ele adorava viver daquela forma. Porém, foi embora sem deixar vestígios. Desceu ao concreto, voltou a sentir dor, as feridas se abriram novamente.
Então em um dia, sentado em sua escada, ele sentiu um cheiro familiar. Fechou os olhos, sentiu os lábios dela tocarem os seus. Confuso, apenas ouviu a voz dela embalar seus ouvidos "Estarei sempre aqui, serei seu ponto de fuga e equilíbrio. Te ouvir, te fazer sorrir e te amar é o que eu devo fazer''. E agora ele sabia que ainda existiriam vezes em que se sentiria vivo.
terça-feira, 1 de junho de 2010
'quero que você me aqueça neste inverno'
Sempre volto de carona com a mesma colega da faculdade. Ela me deixa sempre no mesmo lugar e eu já sei até decorado a quantidade de passos que preciso dar para chegar até o portão de casa. Bem, essa explicação toda, é só para contar que hoje, após descer do carro da minha amiga e ir a caminho do portão da minha casa, eu ouvi uma voz. Juro que na hora pensei "minha nossa, to ouvindo uma voz e ela gosta de Roberto Carlos" foi quando eu olhei pra trás e tinha um sujeito, um mendigo, todo cheio de tralhas, com um cachorro no braço e cantando o mais alto que podia "Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vai pro inferno". Ele cantava olhando para o cachorro e aumentava a voz na parte do 'inferno'. Comecei a pensar que aquele cachorrinho devia, realmente aquecer aquele homem.
Todos nós queremos ser aquecidos. É verdade que a tal da solitude é algo bom. Nossa, é algo ótimo. Mas a comapanhia do outro é e sempre será uma das coisas mais prazerosas da vida. Nenhum de nós quer morrer só. E mais, o assunto, esse assunto, é sempre alvo de sucesso. Hoje, por exemplo, uma amiga minha chegou contando que foi assaltada, jogaram ela no chão, levaram alguns objetos... depois ela contou que levou um pé na bunda do namorando. Quanto ao assalto, não houve especulação, mas ela teve que responder boas perguntas em relação ao pé na bunda... Estamos sempre interessados no amor. Por mais clichê que isso possa parecer. Todos queremos com quem contar, quem ver, quem brigar. E é disso que sentimos falta quando não temos e agradecemos quando encontramos. Você não quer ser só.
'Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vá pro inferno...' é o hino de todos nós.
Todos nós queremos ser aquecidos. É verdade que a tal da solitude é algo bom. Nossa, é algo ótimo. Mas a comapanhia do outro é e sempre será uma das coisas mais prazerosas da vida. Nenhum de nós quer morrer só. E mais, o assunto, esse assunto, é sempre alvo de sucesso. Hoje, por exemplo, uma amiga minha chegou contando que foi assaltada, jogaram ela no chão, levaram alguns objetos... depois ela contou que levou um pé na bunda do namorando. Quanto ao assalto, não houve especulação, mas ela teve que responder boas perguntas em relação ao pé na bunda... Estamos sempre interessados no amor. Por mais clichê que isso possa parecer. Todos queremos com quem contar, quem ver, quem brigar. E é disso que sentimos falta quando não temos e agradecemos quando encontramos. Você não quer ser só.
'Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vá pro inferno...' é o hino de todos nós.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Me bateu uma saudade tão grande agora. Lembrei de todos nós em volta da mesa. Era uma contagem regressiva para o ano que iria chegar. Estávamos todos de mãos dadas. Era lindo. Você quis ouvir aquela música, como era mesmo a música? "Voltei, pra rever os amigos que um dia
eu deixei a chorar de alegria, me acompanha o meu violão..." E aí a gente brindou. Brindamos à saúde, à alegria e ao nosso amor. Você passou um tempo calado e viu a gente beber e comer. Você estava feliz. Quando penso em momentos felizes, hoje, eu penso nisso. Penso em tudo o que fomos um dia, lembro de tudo que passamos juntos. E é isso que me mantém viva.
eu vou viver mais e mais. eu vou viver pelo teu amor.
eu deixei a chorar de alegria, me acompanha o meu violão..." E aí a gente brindou. Brindamos à saúde, à alegria e ao nosso amor. Você passou um tempo calado e viu a gente beber e comer. Você estava feliz. Quando penso em momentos felizes, hoje, eu penso nisso. Penso em tudo o que fomos um dia, lembro de tudo que passamos juntos. E é isso que me mantém viva.
eu vou viver mais e mais. eu vou viver pelo teu amor.
louca.comeplatemente.louca
Seria por uma banalidade, ela sabia. Depois de aguentar tantos fardos, fatos e falsos, ela sabia que por uma simples agulhinha, iria pirar. Pirou. Não tinha mais força para formar frases que fizessem sentido. Jogou tudo pro alto. Pediu demissão, acabou o namoro, fugiu de casa. Jogou o telefone celular no mar, perdeu a carteira, os documentos, se perdeu. Tirou o relógio do pulso, se sentiu livre. Olhou o céu, tentou respirar, respirar, respirar. Viu que ao seu redor as pessoas passavam, a olhavam, deviam cogitar "essa daí não tem mais nada o que fazer da vida". Ela tinha. Tinha tanto a se fazer, tanto que resolveu não fazer nada. Sabia que logo alguém chegaria para tirá-la do "surto". Encostou os pés na areia, alisou os próprios cabelos. "Queria um cafuné", pensou. Mas já que não tinha ninguém, ela mesma poderia fazê-lo. E se alisou, se deu carinho. Se entendeu. Estava com aquela sensação ninguémnomundomeentende e foi quando ele chegou, suado.
-Você está louca? Todo mundo está procurando você
Ela sorriu, como que desdenhasse da frase,
-'Todo mundo' quem?
-Todas as pessoas que você conseguiu tirar do sério, com esse sumiço sem pé ou cabeça
Ela sentiu vontade de explicar. Sentiu mesmo. Mas não, sabia que se esforçaria, mas ele não entenderia. Há coisas que só a gente entende, não é verdade? Então fez o que sabia fazer de melhor. Fingiu.
-Você está louca? Todo mundo está procurando você
Ela sorriu, como que desdenhasse da frase,
-'Todo mundo' quem?
-Todas as pessoas que você conseguiu tirar do sério, com esse sumiço sem pé ou cabeça
Ela sentiu vontade de explicar. Sentiu mesmo. Mas não, sabia que se esforçaria, mas ele não entenderia. Há coisas que só a gente entende, não é verdade? Então fez o que sabia fazer de melhor. Fingiu.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Lavou o rosto com força, parecia querer se machucar. Deixou, de propósito, o sabão entrar nos olhos. Talvez se algo ardesse ou doesse muito, ela conseguisse esquecer a mágoa que habitava em seu peito naquele instante. Decepção. Tristeza. Sofia estava indignada, perplexa. Qualquer termo mais exagerado e dramático também cai bem.
O que ela não entendia era a contradição do mundo sentimentalista. Ama, mas maltrata. Cuida, mas esquece. Entende, mas não compreende. Confessa, mas não muda. Um cansaço avassalador possuiu seu corpo. Quis deitar e não acordar nunca mais. Diante de tantos perdões, tantos recomeços, tantas chances de fazer tudo dar certo. Não deu certo. O pior é que Sofia sabia que aquela não seria a última vez que sentiria aquilo. As coisas não iriam mudar.
A vontade era de correr descalça, como que para se sentir viva de novo. O mundo inteiro se acabando, tudo se dissolvendo, mas Sofia sorria. Apenas esse tal assunto, esse tal de amor, a tirava o equilíbrio. Era justo? Não, não era justo. Ia acontecer de novo? Sim, ela sabia disso. Então por que não conseguia dar um basta em tudo isso? Isso ela não conseguiu responder. Aliás, ela não conseguiu agir. Sufocada pelo choro, engasgou com a própria angústia.
Ela estava se acostumando. Pobre Sofia.
O que ela não entendia era a contradição do mundo sentimentalista. Ama, mas maltrata. Cuida, mas esquece. Entende, mas não compreende. Confessa, mas não muda. Um cansaço avassalador possuiu seu corpo. Quis deitar e não acordar nunca mais. Diante de tantos perdões, tantos recomeços, tantas chances de fazer tudo dar certo. Não deu certo. O pior é que Sofia sabia que aquela não seria a última vez que sentiria aquilo. As coisas não iriam mudar.
A vontade era de correr descalça, como que para se sentir viva de novo. O mundo inteiro se acabando, tudo se dissolvendo, mas Sofia sorria. Apenas esse tal assunto, esse tal de amor, a tirava o equilíbrio. Era justo? Não, não era justo. Ia acontecer de novo? Sim, ela sabia disso. Então por que não conseguia dar um basta em tudo isso? Isso ela não conseguiu responder. Aliás, ela não conseguiu agir. Sufocada pelo choro, engasgou com a própria angústia.
Ela estava se acostumando. Pobre Sofia.
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